POR Leandro Pereira 3 ANOS ATRÁS
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Por Leandro Alves
leandro@blogdacomunicacao.com.br

Foi o psicólogo Jocimar Bernadino quem me disse pela primeira vez esta belíssima metáfora. Eu sempre senti este clima de cumplicidade entre os meus ouvidos e as canções que fazem parte da minha trilha sonora, mas ainda não havia encontrado palavras para verbalizar minha emoção. É música é sim, uma amiga. Ela está sempre por perto, quer seja nos momentos de alegria ou amargura. Através dela sabemos segredos íntimos de outras pessoas, a música também parece nos conhecer como ninguém no mundo. Ela grita ao mundo nossos segredos, nas letras, melodias ou na tonalidade da voz de um grande intérprete. Este foi o meu sentimento diante do espetáculo “Inclassificáveis” do Ney Matogrosso.

Segundo o cantor a proposta do show, agora lançado em DVD é fazer um comentário sobre a realidade atual. É um comentário coerente e atual. As letras são de uma poesia ousada e sem perder o requinte e com uma temática eclética que fala do envelhecer com sabedoria, de desejo, saudade, do cotidiano. Tudo de forma lúdica e envolvente. A direção musical é de Emilio Carreira, do Secos e Molhados, a direção de cena do próprio Ney Matogrosso, o cenário de Milton Cunha, a produção de João Mario Linhares. Gravado no Canecão no Rio de Janeiro em 2008, o espetáculo correrá por todo o país em 2009 com beleza e um toque de qualidade próprio de Ney Matogrosso.

Ao contrário das outras apresentações, o show “Inclassificáveis” foi idealizado a partir do figurino. Vale lembrar que aquela troca de roupa no palco exige de Ney Matogrosso horas de ensaio. A base é uma segunda pele dourada e outra tatuada. A partir daí ele alterna acessórios para a cabeça, pescoço. E tudo no intervalo de uma música e outra. As roupas também carregam toda uma história e significado especial. A segunda pele dourada, por exemplo, é inspirada nos reis Incas que, em datas específicas, iam para o lago Titicaca e mergulhavam nus com ouro em pó grudado no corpo para ofertá-lo aos seus deuses.

Ney Matogrosso amadureceu, assumiu da direção cênica de todos os seus espetáculos, participa de todo o processo de criação desde a escolha do figurino a do repertório. É um ser capaz de ter autocrítica com a própria carreira, pois percorreu a trajetória da música popular brasileira e sabe se atualizar sem perder e originalidade. Ao assistir o show “Inclassificáveis” temos também a oportunidade de participar do contexto das canções. No Making Off cada compositor fala um pouco das canções de sua autoria e da parceria com o intérprete. Entre eles estão Edu Lobo, Chico Buarque, Alice Ruiz, Itamar Assunção, Arnaldo Antunes, Cláudio Monjobe e Carlos Reno.

Inclassificáveis é uma canção de Arnaldo Antunes que fala da diversidade de raças e crenças no Brasil. Além dela podemos citar “Ode aos ratos” de Edu Lobo e Chico Buarque, “O tempo não pára” de Cazuza e Arnaldo Brandão e “Ouça-me” de Itamar Assunção e Alice Ruiz. Ney Matogrosso exibe sabedoria, talento e é um artista imortal. É um disco de impacto e sensibilidade. Músicas que confortam e proporcionam ao ouvinte um prazer inigualável. Agora só me resta convidá-los para quatro minutos e quarenta e oito segundos de música.

Imagem de Amostra do You Tube

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COMENTÁRIOS
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Leandro Pereira é escritor, nascido em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura no Blog da Comunicação.
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  • http://www.opatifundio.com Michell Niero

    Ney Matogrosso já fez de tudo, cheirou, fumou, tentou se matar, foi tachado de pervertido, continua fora dos padrões e, no entanto, mantém sua dignidade intacta. Dignidade é um negócio raro no Brasil, é difícil manter a postura que ele tem, a performance dele no palco e não se corromper, não mentir pro seu público. Falta isso a muita gente, é um exemplo. Sem falar que musicalmente o trabalho dele sempre foi bem interessante,principalmente nos dois discos com o Secos e Molhados.

    Um abraço

  • http://www.visaopanoramica.com Arthurius Maximus

    Lendo, vendo e ouvindo coisas como essas é que percebo o quão pobre nossa cultura de hoje é. Para onde foram os gênios letristas? Para onde foram os artistas realmente talentosos e não os de “sucesso minuto”?

  • Érico

    Belo texto, Leandro. Digno de um grande (e completo) artista como Ney Matogrosso. Ele desafiou moralidades, desacatou ditaduras, quebrou muitos tabus, e continua quebrando, ao longo de seus intensos quase 40 anos de carreira. Voz bela e afinadíssima, repertório interessante e atual, sem contar os músicos que o acompanham, sempre talentosíssimos. E a performance cênica continua magistral, como você assinalou tão bem nessa sua resenha, sensível e lúcida. Parabéns!

  • Álvaro Afonso

    Linda essa canção, “Novamente”, parceria de Fred Martins e Alexandre Lemos, dois grandes talentos da nova geração. E a interpretação de Ney, simplesmente arrebatadora. Vc teve um tremendo bom gosto ao escolher este número. O show “Inclassificáveis” é deslumbrante, em todos os sentidos. Repertório, iluminação, cenografia, figurinos: tudo perfeitamente integrado p/ celebrar a arte desse intérprete, grandioso e único. A voz do Ney é realmente fascinante.
    Abração, Leandro.

  • http://xicoriasexicoracoes.wordpress.com/ G

    Muito bom post!

    Parabéns!

    Abraço!

  • Guilherme Freitas

    Não gosto muito de Ney Matogrosso e de MPB, mas não posso deixar de tirar o chapéu a esse personagem, que através de sua personalidade é um ds maiores cantores do Brasil.

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