POR Victor Oliveira 8 MESES ATRÁS
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por Victor Oliveira

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Imagine a cena: o cidadão sentado em uma cadeira, ambiente escuro, apenas uma luz em cima do rapaz. Em volta dele, alguns homens com cara de poucos amigos, fazendo perguntas aos gritos. Para completar, a cada resposta negativa, sessões de esmagamento dos testículos, enforcamentos com cordas, pancadas com objetos perfurantes na barriga e lanças fincadas nas costas. Parece cena de um filme ou algum documentário retratando períodos da ditadura militar no Brasil? Pois bem, não é.

Hoje em dia, caros amigos, ainda que se espante com isso, este tipo de coisa acontece praticamente em todos os finais de semana. E, por incrível que pareça, as pessoas gostam e pagam caro para assistir a estas sessões de tortura. Os torturados estão lá, ficam quietos em seus cantos, esperando a evoluída raça humana ditar os rumos de suas sofridas vidas. E a cada anúncio dos auto falantes, lá estão eles, sendo submetidos às mais variadas formas de tortura, de crueldade, tudo em prol de alguns segundos de “diversão’ para a platéia, milhares de reais para quem tortura e milhões para quem organiza todo este circo.

É de se indignar, não é mesmo? Como pode, em pleno século XXI, acontecer este tipo de atrocidade? Como autoridades podem permitir que tais práticas sejam mantidas aos olhos de todos, como se normal fosse? Pois é, permitem e ainda apóiam, com incentivos fiscais, disponibilizando locais, incentivando com recursos públicos. Para piorar um pouco, diversos artistas de renome nacional e internacional vão a estes locais apresentarem seus shows.

Pois bem, a realidade é esta. O último caso de tortura alvo de matérias na imprensa é o de um peão que, em uma prova conhecida como bulldog, lesionou um bezerro a ponto de deixá-lo tetraplégico, tendo que ser sacrificado logo após a prova. Essa prova consiste no peão pular de um cavalo e, ainda em movimento, pegar o bezerro que foge desesperado, torcer seu pescoço até que o mesmo, para não ser ainda mais machucado, pule e se vire de costas para o chão. Outra prova com bezerros é a do laço, na qual o bezerro foge do peão montado em seu cavalo, até ser atingido por um laço no pescoço. Com o bezerro correndo, é possível imaginar o resultado disso: diversos casos de enforcamento do animal, além de lesões na coluna provocado pela freada repentina.

Na Espanha, país de primeiro mundo, evoluído, símbolo da supremacia da Europa, as touradas acontecem com frequência. Do mesmo que por aqui, lá os touros estão sujeitos às mais diversas formas de crueldade. Os animais são atingidos por estacas, lanças, espadas e adagas. Ao final, após o animal sangrar e sofrer muito, o toureiro finaliza a crueldade com uma espada, dando o golpe final e ceifando a vida do touro. Tudo isso aplaudido por milhares de espectadores.

Que tipo de espetáculo é esse em que as pessoas vão para se divertirem com o sofrimento dos animais? Até quando vamos tolerar que se maltratem seres vivos para que empresários e peões profissionais enriqueçam? Quando os artistas vão se tocar que ao se apresentarem nestes eventos, estão dando sinal positivo para tudo que ocorre lá? Por que nosso dinheiro é investido pelo poder público nestes eventos?

Somos pequenos frente à máquina que controla tudo isso. Mas podemos, ao menos, fazer nossa parte. Boicote rodeios, caro amigo, ainda que seu artista favorito vá tocar lá, não compre ingresso para vê-lo. As redes sociais estão aí, demonstre sua insatisfação com este tipo de coisa. Por mais que ache pouco, se cada um fizer sua parte, pode ser que alguma mudança aconteça. E se não acontecer do modo que desejamos, ao menos durmo tranquilo, sabendo que não contribuí para que esta barbárie continue acontecendo.

É isso. 

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COMENTÁRIOS
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Turismólogo, estudante de Direito, servidor público, flamenguista. Escrevo sobre nosso cotidiano, sobre percepções que tenho das relações humanas. Não pretendo impor verdades e nem determinar caminhos. Leia, absorva o que achar interessante e descarte o que lhe parecer prejudicial. É isso.
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  • Guilherme Freitas

    Concordo com cada palavra sua Victor. As touradas, rodeios e demais “modalidades” deveriam ser banidos da nossa sociedade. Não vejo mais sentido para continuar massacrando e maltratando animais indefesos. Infelizmente, o lobby por trás destes eventos são muito fortes. Mas tenho esperanças que um dia isso será banido da sociedade. Abraços

  • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

    Pois é, Guilherme. Não entendo como este tipo de coisa ainda pode contar com o apoio do povo. Não aceito o poder público bancando festas assim. E acho uma falta de caráter artistas que emprestam seus nomes para a publicidade destes eventos. Será que se fosse uma festa do pó eles iriam tocar numa boa também?

    Eu não tenho tanta esperança que vá acabar. Talvez diminua, nos circos pelo menos a presença dos animais já não é bem vista, em alguns locais é até mesmo ilegal. Quem dera chegasse a este ponto com os rodeios. Dá para interagir com os animais de uma maneira muito mais leve, com adestramento baseado em carinho e confiança, e não em pancada e privação de alimento.

    Valeu pelo comentário!!!

  • serebebel

    concordo em acabar com as touradas;mas com os rodeios não,se acabarem com os rodeios o jeito é a gente peões montar nesse boi chamado guilherme freitas.

    • Guilherme Freitas

      Boi, não sou tão gordo assim, rs.

      • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

        Mas será que o boi é pelo peso ou pelos chifres? hahahahahaa…. sacanagem, Guilherme!

    • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

      Poxa, sacanagem com o Guilherme.

  • Bessonildo

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  • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

    Valeu, obrigado.

  • Celia Regina Freitas

    Em alguns lugares da Espanha já está proibido este tipo de espetáculo. Mas o lobby das cervejarias e demais patrocinadores dos rodeios no Brasil não vão deixar este “espetáculo” ter fim. Infelizmente.
    Celia Regina

    • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

      Verdade, Célia. Infelizmente a gente ainda vai continuar vendo essas coisas. Dias desses a Record, pra divulgar o Pan, mostrou uma reportagem sobre touradas… enquanto a mídia continuar mostrando isso, apoiando, veremos este tipo de evento. A minha parte é reclamar e não frequentar mais, apesar de ser pouco… obrigado por comentar!

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