POR Colaboradores Especiais 3 ANOS ATRÁS
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por Mirella Miranda

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Uma das maiores empresas esportivas do mundo, a ADIDAS pode seguir a Nike e deixar de fabricar produtos e roupas para a natação. A companhia alemã, que já investiu mais de 10 milhões de Dólares no mundo dos esportes, anunciou que poderá abandonar a indústria da natação competitiva se o esporte não aplicar novas medidas e regras para os seus uniformes.  Semana passada, a Federação de Natação dos Estados Unidos baniu um novo traje de competição high-tech de provas internacionais, coincidindo com o lançamento do “doping suit” – um tipo de traje que mais parece um maiô, que vai dos ombros até o tornozelo do atleta.

Todo o problema começou quando a Fina, Federação Internacional de Natação, aprovou o novo traje feito pela Speedo LZR. O lançamento da roupa não foi visto com bons olhos no início, mas dos 90 recordes mundiais realizados este ano, 70 deles foram feitos por nadadores usando o traje da Speedo. Além disso, 89% dos atletas que ganharam medalhas olímpicas em Pequim estavam usando o tal traje.

A maioria dos nadadores confirmou que o novo modelo da Speedo fez com que a velocidade do nado deles aumentasse. Após esse anúncio, muitos nadadores decidiram abandonar contratos para poder usar o traje e conseguir um melhor desempenho nas piscinas.

O prejuízo financeiro devido à quebra de contratos fez com que grandes empresas abandonassem a confecção de produtos para a natação. A Nike foi a primeira. A Adidas ainda está pensando a respeito. O único sucesso da companhia nas Olimpíadas deste ano foi a nadadora alemã Britta Steffen, que venceu os 50 e 100 metros livres.  

A Speedo nem imaginava os problemas que causaria lançando seu novo traje de competição para natação. De acordo com o anúncio de um especialista, ele disse: “A Nike já foi. Adidas poderá ser a próxima, embora a empresa não precise muito da natação, já que tem sucesso patrocinando grandes times de futebol e outros esportes. A natação precisa muito mais da Adidas do que ela do esporte. A Nike não vai voltar atrás. O esporte da natação está em desordem total.”

Após todas essas confusões e declarações, o diretor da Fina, Cornel Marculescu, anunciou um encontro com as principais empresas fabricantes de trajes em fevereiro do próximo ano. Vamos ver como será o novo capítulo dessa história.

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COMENTÁRIOS
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  • Guilherme Freitas

    Desde 2006 cubro campeonatos de natação e sempre fui contra o LZR da Speedo. Na minha opinião ele tirou a graça da natação. Quem gosta ou acompanha a modalidade e vai em campeonatos de categorias menores (petiz, infantil ou juvenil) já assiste moleques envergando esse traje ou o Blue Seventy, de uma concorrente e que é igual ao LZR. São ainda aspirantes a grandes nadadores, que acreditam que a roupa pode ajudar. A Federação Americana fez o certo em vetar o LZR nas categorias de base.

    O LZR só colocou a natação na mídia e fez com que Speedo e seus parceiros lucrassem financeiramente. Isso atrapalha o desenvolvimento do esporte e não gera concorrência, cria um monopólio. A Adidas e a Nike não tem nada a perder, pois são poderosas no futebol. Estive no Mundial de natação em Manchester esse ano e aconteceu uma reunião da FINA com presidentes de confederações sobre o LZR. Nós da imprensa não tivemos acesso e nas coletivas de imprensa, o presidente da FINA sempre fugia das perguntas sobre o traje.

    A verdade é que ninguém vai barrar o LZR. Ele deu espaço na mídia para a natação e recordes estão caíndo toda hora. Eu acho que a natação perdeu um pouco da seu graça. Colaboro como correpondente de imprensa da FINA no Brasil e sei muito bem que o retorno financeiro para a FINA, Speedo e os atletas patrocinados foi enorme. É meus amigos, o maldito dinheiro vem sempre em primeiro lugar.

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