POR Guilherme Freitas 2 ANOS ATRÁS
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por Guilherme Freitas
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Na última quinta-feira, a senadora Marina Silva deixou o PT e está prestes a se filiar ao PV. Marina estava no Partido dos Trabalhadores desde 1985 e durante o governo Lula foi ministra do Meio Ambiente, pasta que deixou ano passado após conflitos com empresários do ramo do agronegócio e com outras alas petistas. Ela deixou o PT após assedio do PV para que ela concorra a presidência ano que vem pelo Partido Verde. Marina ainda não confirmou sua candidatura, mas é quase certo que disputará o pleito em 2010.

Ainda é cedo para saber como Marina se sairá em uma corrida presidencial. Pode tanto tirar votos de Dilma Rousseff, como de José Serra ou de qualquer outro presidenciável. Ela tem a seu favor o fato de ser uma novidade no cenário político nacional e ter uma biografia respeitada, além de sua postura política no combate ao desmatamento na Amazônia. Porém tem como desvantagem o fato de ainda ser pouco conhecida fora da região Norte, estar em um partido pequeno que terá pouco espaço no horário político e de ter sua imagem ainda associada ao PT.

Marina Silva pode ser a novidade em 2010 - Crédito: Globo.com
Marina Silva pode ser a novidade em 2010 – Crédito: Globo.com

Marina terá uma longa caminhada até o início da sucessão presidencial. Precisará fazer seu nome para subir nas pesquisas, costurar alianças para ganhar mais espaço na mídia e saber com quem está andando já que seu novo partido tem como líder o deputado Zequinha Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney. A senadora deixou o PT afirmando não ter mais ilusão que existam partidos perfeitos no Brasil e que o partido não teria condições de trabalhar com o projeto de desenvolvimento sustentável.

Para almejar alguma coisa, Marina não poderá focar suas fichas apenas no Meio Ambiente, que conhece tão bem. A maioria da população não está nem um pouco interessada em escutar sobre planos para conter o desmatamento na Amazônia. O povo quer saber é de saúde e educação decentes, empregos e menos corrupção e escândalos envolvendo parlamentares. Mesmo assim, a entrada de Marina na sucessão presidencial é uma novidade para a já monótona disputa PT-PSDB.

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Guilherme Freitas
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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  • http://opatifundio.com Michell Niero

    Marina Silva tem a seu favor uma história de vida fascinante e uma personalidade de quem não teve medo de renunciar ao poder, mesmo que isso representasse um retrocesso político (diferente de Mercadante). Creio que sua ida ao PV seja benéfica para a imagem dela, já que não era bem tão vista pelo PT há muito tempo, e também para as intenções políticas do PV.

    Quero esperar também quais serão as mudanças estruturais que o PV irá passar. Afinal, ele sempre foi de centro-direita, visto como uma sucursal verde do tucanato. Para aqueles que analisam a Marina como uma mudança, é preciso se lembrar disso. Caso ela seja eleita, ela deverá ter apoio do PSDB e do PMDB (que sempre é pró-governo), duas siglas que não representam propriamente uma mudança. Assim com o PT.

    Um abraço

  • Jeronimo

    Como filiado ao PV fico muito feliz em ter a Marina Silva como candidata à presidencia.

    Só não gostaria que houvesse, durante a campanha, ataques frontais ao Presidente Lula.

  • http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com Guilherme Scalzilli

    Sobre o delírio Marina Silva

    Jamais discutirei a biografia, o caráter ou as intenções da ex-ministra, que nada têm a ver com pretensões eleitorais.
    Sua candidatura não tem chance real de sucesso por inúmeros motivos. Faltam-lhe uma aliança partidária abrangente, tempos de rádio e TV, investimentos, palanques regionais, militância numerosa e qualificada. A experiência e o perfil de Heloísa Helena a sufocam ou, na melhor das hipóteses, anulam suas especificidades. E, convenhamos, atrair Gilberto Gil, Protógenes Queiroz ou Nelson Mandela não trará enormes benefícios junto a eleitorado majoritariamente conservador e preconceituoso.
    Um projeto monotemático (seja ambiental ou qualquer outro) é insuficiente para empreitada desse porte. O pretenso diferencial da “honestidade” e do apelo moral pode ser encontrado em todo e qualquer discurso de campanha. E bastará revelar as ligações de Marina com a igreja evangélica e outros misticismos ultraconservadores para que ela perca o deslumbramento do eleitor progressista.
    Quem ignora essas dificuldades insanáveis está ludibriando o distinto público.
    Ademais, há sim o fator político. Sua militância reagirá bem quando ela sair na foto abraçada com Zequinha Sarney? Marina subirá no palanque fluminense do neotucano Fernando Gabeira, junto a lideranças do DEM (PFL) e do PSDB local? Como se portará em São Paulo, onde o PV apóia José Serra e Gilberto Kassab? Será omissa no segundo turno, prejudicando seu antigo partido e favorecendo o retorno da “direita liberal” que tanto combateu?
    Até as pranchetas do Datafolha sabem que a disputa presidencial será plebiscitária e polarizada; feliz ou infelizmente, Marina permanecerá apartada desse embate. A imprensa serrista comemora sua pré-candidatura porque ainda parece conveniente para dividir os votos de Dilma Rousseff. É só Marina começar a enfraquecer José Serra que o bondoso governador tratora tudo e acaba com essa brincadeira sem graça.

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