Chega ao fim o primeiro especial de reportagens de jornalismo produzido pela equipe do Blog da Comunicação. Após 14 dias de trabalho, nossa equipe de colunistas retoma suas tradicionais atividades com posts diários das mais diversas editorias a partir de amanhã, segunda-feira.
Nesse período de publicações especiais, o Blog da Comunicação registrou bons números. Foram publicados 23 textos, que receberam ao todo 102 comentários. Os acessos durante o “Especial BGC” foram de 24.074 (17.357 visitas únicas, uma média de 1.622 diárias), com 73.084 visualizações de páginas. O tempo médio dos leitores no blog foi de 5min26s. Os números oficiais são do nosso provedor Locaweb.
A partir de amanhã o Blog da Comunicação apresenta mais novidades, quatro precisamente. Estréiam como colunistas do site: Marcus Fam, Sônia Mesquita, Mário Gabriel e Henrique Araújo.
CRÉDITOS DO ESPECIAL BGC
O Especial BGC contou com a participação dos colunistas: Serg Smigg, Renata Monteiro, João Paulo Denófrio, Kika Cirra, Danilo Vaz, Leandro Lopes, Danilo Andrade, Juliana Sever, Bete Vital, Priscilla Aloi, Leandro Alves, Marcello Ghigonetto, Henrique Beirangê e Isaque Criscuolo. (Os colunistas Ruither Ferrão e Artur Mota não puderam escrever para o Especial BGC)
Três convidados internacionais participaram do projeto: os jornalistas moçambicanos Ivone Soares e Traquinho da Conceição, e o economista argentino Jorge Bardach.
Agradecimentos ao jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, pela entrevista concedida ao colunista Guilherme Freitas.
A revisão dos textos ficou a cargo de Serg Smigg e Ane Flora.
O novo layout e demais atualizações visuais e técnicas são de responsabilidade de Luan Damasceno.
Idealização e coordenação de James Freitas e Guilherme Freitas.
PS- Agradecemos também os ex-colunistas e os atuais colaboradores do Blog da Comunicação, que também merecem uma citação aqui neste especial pela importância que tiveram neste primeiro ano de vida. Daiane Torres, Natália Gaion, Natália Geraldi, Rúbia Souza, Maurício Renan, Mel Frias, Fernanda Pereira, Jackson Marcello, Jefferson Albuquerque, Daniel Barbosa, Beto Roncolatto, Luciane Carnevali, Nalim Garzeni, João Áquila, Mônica Albiero Costa, Ana Lúcia Abraão, Aline Costa, Mirella Miranda, William Paolieri, Edgard Matsuki, Graziela Barros e Everton Freitas. Todos vocês também fazem parte dessa história!
Atenciosamente,
Equipe Blog da Comunicação
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por Guilherme Freitas
especial@blogdacomunicacao.com.br
Como parte do especial de jornalismo promovido pelo Blog da Comunicação, conversamos com o jornalista Clóvis Rossi, repórter especial e colunista do jornal Folha de S. Paulo. Rossi nascido em 1943 na cidade de São Paulo tem mais de 40 anos de carreira jornalística. Trabalhou em outros dois grandes jornais além da Folha: O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Foi correspondente na Argentina e na Europa, enviado-especial para diversas coberturas políticas, econômicas e esportivas e também é escritor. Seu trabalho mais recente é “Enviado Especial: 25 anos ao redor do mundo”. Confira abaixo a entrevista com esse grande nome do jornalismo brasileiro.
Blog da Comunicação: Por qual motivo você resolveu ser jornalista? Alguma influência familiar, escolha própria, admiração pelos jornalistas. Qual o motivo?
Clóvis Rossi: Na verdade, não resolvi ser. Só fiz o vestibular porque não tinha a idade mínima para o vestibular para a carreira diplomática. Logo no segundo ano da faculdade, comecei a trabalhar. Gostei e fui ficando.
BGC: Qual foi a cobertura que mais te marcou, aquela que ficará registrada na sua memória para sempre?
CR: Foram muitas, mas sem dúvida a da transição na Argentina da ditadura para a democracia me impressionou mais.
BGC: Você tem trabalhos feitos em diversas editorias, como política, economia, esportes, sociedade, cultura. Com qual dessas você prefere trabalhar?
CR: Prefiro trabalhar sempre naquilo que é o mais importante do dia. Seja ela que área for.
BGC: Na sua opinião, quem é o maior jornalista da história do Brasil?
CR: Sinceramente, nunca pensei nisso.
BGC: Quem foi a personalidade (políticos, artistas, jornalistas, etc..) com quem você mais se impressionou em todos esses anos de carreira? Aquela pessoa que te surpreendeu quando você fazia seu trabalho.
CR: Não creio que tenha havido alguma personalidade capaz de me impressionar ao longo de todos estes anos.
BGC: O que você acha dos blogs e dos novos sites de jornalismo/comunicação? Acredita que o jornalismo pode ganhar com a presença deles ou perde com a concorrência?
CR: Acho ótimo que haja blogs, videoblogs e outras mídias eletrônicas, mas enquanto eu não souber quem os faz, porque os faz e como se financiam, eu não confio neles.
BGC: Que conselho você daria as jovens jornalistas recém-formados e aos estudantes de jornalismo?
CR: Cada caso é um caso. Não acho que funcione essa história de conselho, não.
por Traquinho da Conceição *
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Qual a relação da liberdade de imprensa e da comunicação social com o poder e a sociedade moçambicana hoje? O papel da mídia nas decisões de voto? Qual o papel da mídia no contexto do Moçambique actual? Qual a relação da liberdade de imprensa e da comunicação social com o poder e a sociedade moçambicana hoje? O papel da mídia nas decisões de voto?
Estas questões todas se colocam quando faltam apenas meses para as eleições presidenciais, legislativas e provinciais em Moçambique. Na enorme complexidade dentro da qual se constrói a decisão do voto, e considerando que muitos factores estão simultaneamente em acção, quais as primeiras impressões que um observador pode ter do papel da mídia nas eleições que se avizinham no País?
Creio ser possível arriscar algumas afirmações. A primeira é que a mídia – ao contrário do que gostam de admitir seus principais porta-vozes – não é apenas uma mediadora ou transmissora de informações. Ela é parte activa e interessada no processo e constitui-se, ela própria, em importante actor político. Nos períodos eleitorais, esse papel se revela com clareza nas decisões editoriais, nas omissões e nas ênfases da cobertura política. Mas não só aí. Há uma acção implícita, difícil de se perceber e de se descrever, que é constitutiva da posição de centralidade que a mídia atingiu em nossas sociedades.
Nos debates com candidatos, por exemplo, a instituição TV – que não passa de concessionária de um serviço público – comporta-se como se constituísse um poder acima dos outros (será que constitui?). Os candidatos, que se apresentam aos eleitores como aspirantes aos cargos públicos, estão nesses debates como se diante de uma banca de examinadores, e a autoridade do julgamento é exercida pela estrutura televisiva personificada no âncora que preside o debate.
Outra característica presente é que não há efectivamente política nacional sem mídia porque são justamente as emissoras de Rádio e de Televisão, os jornais, as revistas e o cinema que definem o que é público, num contexto de regime democrático cuja essência deve ser a presença de actividades públicas e visíveis. A mídia modificou radicalmente as campanhas eleitorais e se transformou, por si, em importante actor político por sua capacidade de produzir e distribuir capital simbólico e pela possibilidade que os seus concessionários e proprietários têm de influenciar ou até intervir no processo político.

- O presidente moçambicano Armando Emílio Guebuza e o presidente brasileiro Lula – Crédito: Agência Brasil
Em Moçambique, características históricas do sistema de mídia – com regulação que incentiva o desenvolvimento da radiodifusão privada (comercial) e comunitária, sem restrições efectivas à propriedade cruzada – somadas às características da população (maior parte considerada analfabeta funcional, sem domínio da escrita, com principal fonte de informação política o Rádio e a Televisão) funcionam como potencializadores do poder da mídia no processo político-eleitoral.
A proposição que mais nos interessa diz respeito à crise generalizada dos partidos em diferentes sistemas políticos. A mídia tem exercido várias das funções tradicionais de partidos políticos, como construir o cenário público, gerar e transmitir informações políticas, fiscalizar acções do governo, examinar e avaliar políticas públicas e canalizar demandas da população. E essa apropriação pela mídia do espaço de actuação partidária tem papel determinante na crescente da “personalização” da política e do processo político. A cobertura jornalística torna-se cada vez mais centrada em candidatos do que em ideologias partidárias, e o processo fica caracterizado como uma disputa entre pessoas (políticos) e não entre propostas.
E as eleições, especialmente em democracias emergentes, muitas vezes significam maior tensão entre a imprensa e as autoridades. Intimidação do eleitor, fraude e instabilidade pós-eleição são alguns problemas em potencial que dificultam a reportagem de jornalistas. Contudo, uma imprensa livre é crucial para fazer valer a responsabilidade nas eleições.
Entretanto, lançamos aqui algumas perguntas que se podem incluir outras questões relacionadas acima.
Que tipo de perigos os jornalistas enfrentam quando cobrem eleições? Quanta pressão os jornalistas sentem para apoiar, opor-se ou ignorar certos candidatos na reportagem? O que a mídia noticiosa pode fazer para assegurar que as eleições sejam livres e justas? O que pode ser feito para melhorar a cobertura eleitoral no seu país?
Varios partidos políticos e seus candidatos muitas vezes não aceitam reportagens da mídia, se são contra si, dizendo que a reportagem é tendenciosa… e que o jornalista recebeu dinheiro do candidato oponente. Quando o quarto estado da democracia está sob comando do primeiro, pode-se imaginar o quão imparcial será a análise da eleição. Evidentemente, o papel da imprensa não deve ser no sentido de direccionar o voto ou influenciar o eleitor a votar nesse ou naquele candidato. Mas o papel dos meios de comunicação é fundamental para conhecermos melhor os candidatos e os partidos aos quais estão filiados.
Pretender que a imprensa seja imparcial é semiutópico. Isto porque ela deve se manter afastada do jogo político. Desta forma, estará prestando um serviço inestimável a todos os cidadãos desse País.
Enfim, a imprensa moçambicana registrou as famosas alianças entre gregos e troianos na política.
* Traquinho da Conceição é jornalista natural de Moçambique e autor do blog Jornalismo Moçambicano. Escreveu a convite da equipe do Blog da Comunicação.
Por Isaque Criscuolo
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Estamos no século XXI, com tecnologias avançadas e que jamais imaginamos que iríamos ter. No jornalismo estas tecnologias foram importantíssimas para evoluir a difusão das informações. Hoje temos diversos meios para o compartilhamento de informações, mas no passado era tudo bem diferente. Entre os meios de comunicação de massa do século passado, o que mais se desenvolveu foi, sem sombras de dúvidas, o rádio. Todavia há quem acredite que este meio tão popular e acessível vai desaparecer.
Vamos relembrar o surgimento do rádio.
Para que fosse possível a transmissão de sons sem a utilização de fios, pesquisas foram desenvolvidas. No século XIX era esse o desafio. Mais tarde descobrimos que as ondas eletromagnéticas são a base da transmissão de sons, demonstradas em 1863 por James Clerk Marwell, professor de física experimental, e confirmadas em 1887 por Heinrich Hertz.
Ao longo de todo o século XIX tais estudos foram desenvolvidos e melhorados por cientistas, até que no início do século XX já possuíamos a tecnologia necessária para desenvolver o rádio.
No princípio o rádio nasceu como um meio de comunicação bidirecional: duas pessoas conectadas, uma em cada ponto. Esse sistema era muito utilizado no meio militar, como forma de comunicação entre navios. O rádio como meio de comunicação de massa, da forma que conhecemos hoje, foi sugerido pelo russo David Sarnoff, em 1916.
Infelizmente o modelo proposto por Sarnoff não foi aceito logo quando este o propôs, sendo incorporado anos depois à primeira rádio oficial nos EUA, a KDKA.
Esse resumo geral do surgimento da radiodifusão no mundo serve como uma base para entendermos o surgimento no Brasil das novas tecnologias de comunicação.
A inauguração oficial do rádio no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, com transmissões de discursos do presidente Epitácio Pessoa e leituras do livro “O Guarani”, de Carlos Gomes. De acordo com a impressa da época, essa transmissão pode ser ouvida inclusive em outros estados.
Em 1923, Roquette Pinto, considerado o pai do rádio, e Henry Morize, inauguram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que possuía o lema: “Levar a cada canto um pouco de educação, de ensino e de alegria”.Embora a ideia da criação desta rádio fosse nobre e com fins culturais, era exclusivamente das elites, que possuíam o dinheiro necessário para comprar os aparelhos receptores, caríssimos na época.
O jornalismo era pouco difundido no rádio e as notícias eram lidas dos jornais impressos. Toda a programação da época era voltada aos concertos, óperas, recitais de poesia e palestras. Na década de 1930 surge a publicidade no rádio e em 1935 a primeira equipe de jornalismo radiofônico: a Rádio Jornal do Brasil.
Os anos 40 simbolizaram a era de ouro do rádio no Brasil, com grande guerra pela audiência e o surgimento do clássico Repórter Esso na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que possuía como locutor Heron Domingues e ficou no ar por 27 anos.
Nesta época as pessoas se reuniam em suas casas ou nas casas de vizinhos, em volta do aparelho de rádio para ouvir as radionovelas, os programas de auditório e inclusive os noticiários.
Era uma época em que todo o entretenimento de massa estava creditado ao rádio, mas logo começou a cair em declínio pelo surgimento da televisão, que foi trazida ao Brasil por Assis Chateaubriand.
Na década de 70, começou a segmentação das emissoras, que se voltaram a públicos determinados. Em 1990 surgiu a transmissão via satélite, que proporcionou um maior alcance em território nacional, com programação unificada e simultânea. Depois desta rápida aula de história, vamos analisar como o jornalismo estava envolvido nisto tudo.
Quando começou no rádio, o jornalismo não tinha uma linguagem própria para o meio. As notícias eram lidas do impresso, como já citei anteriormente. Isso causava uma confusão no público e, portanto, aos poucos foi sendo desenvolvida uma linguagem jornalística exclusiva para o rádio. Uma linguagem, clara, objetiva, acessível e que não distraia o ouvinte. Essa foi uma notável evolução do jornalismo no rádio.
Mas e quanto ao desaparecimento do rádio como o conhecemos hoje? Seria exagerado demais afirmar o tal desaparecimento, afinal o rádio já passou por muitas crises e sobreviveu a elas. Hoje temos o rádio digital e a integração do rádio convencional com os meios virtuais, que são as rádios que funcionam somente e para o público da internet. Hoje também temos os podcasts, que são mais simples e voltados para um público específico.
Se analisarmos que uma pouca parcela da população brasileira tem acesso à internet, podemos concluir que é um público muito elitizado. Portanto afirmar que o rádio analógico vai desaparecer é voltar às origens da radiodifusão no Brasil, quando só quem tinha dinheiro era privilegiado.
Vale lembrar que com o rádio, temos acesso à informação de maneira mais simples. Qualquer celular ou mesmo aparelhos que captem as ondas de rádio, podem ser utilizados facilmente no dia-a-dia, no ônibus, metrô, trem, trânsito e etc. O jornalismo no rádio vem evoluindo para se adaptar às novas necessidades dos ouvintes.
O jornalismo no meio radiofônico está crescendo. Hoje temos as rádios All News, como BAND NEWS FM e CBN, que fazem coberturas mais completas dos fatos, por possuírem mais tempo e espaço na programação. É melhor acreditarmos que o rádio irá evoluir e ficará bem diferente do que conhecemos hoje, mas desaparecer, nunca.
Enfim, o rádio está em uma época de transição, assim como quando surgiu a televisão e ele precisou inovar e se adaptar aos novos tempos. Precisamos nos adaptar às mudanças e só o futuro nos dirá se o rádio irá permanecer como meio de comunicação de massa.
Confira abaixo um vídeo sobre a história do rádio no Brasil:por Henrique Beirangê
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Segundo um ensaio do pesquisador e historiador, Roberio Fernandes, a crucificação de Jesus teria sido noticiada por um diário oficial da época conhecido como “Atos de Pilatos”. Uma espécie de prestação de contas do Governador da Judeia sobre seus feitos. O fato seria uma prova científica da existência de Cristo.
O anúncio da crucificação teria sido atestada por Justino Mártir em sua obra Apologia, quando menciona um trecho do “Atos de Pilatos”.
Mas estas palavras: “Transpassaram-me as mãos e os pés’ são uma descrição dos pregos com que lhe cravaram as mãos e os pés na cruz; e, após crucificado, os que o pregaram na cruz lançaram sorte para determinar quem lhe ficaria com as vestes, e as dividiram entre si; e que estas coisas foram assim, podeis vós verificar do que se contém nos ‘Atos’ que foram compilados sob Pôncio Pilatos.”
Nascido por volta de 103 d.C. Justino escreveu duas obras, as quais são conhecidas pelos títulos de Apologia I e Apologia II, cujos destinatários eram, respectivamente, Antonino Pio – Imperador Romano que esteve à frente daquele Império no intervalo de 138 a 161 d.C. – e o Senado Romano. Naquela época produções literárias precisavam ser avalizadas pelo Imperador e o Senado para serem divulgadas. Apologia I surgiu a partir de sua pretensão em defender os cristãos, vítimas constantes de perseguições feitas pelos pagãos, fato este que motivou o Imperador Antonino a publicar um edito em prol do perseguido rebanho cristão. Depois de acirrado debate com o filósofo cínico (corrente filosófica grega) Crescêncio (ou Crescente)– que chegou a ser admoestado publicamente –, o referido filósofo empreendeu uma conspiração contra Justino, o que o levou a escrever a sua segunda Apologia, desta vez sem sucesso, haja vista que o Imperador mandou prendê-lo, seguido de execução por decapitação.
Um dos argumentos mais usados contra a autenticidade das afirmações de Justino, segundo o pesquisador, é pelo fato do documento oficial em pauta, a saber, “Atos de Pilatos”, não mais existir, tendo sido pouco mencionado nos primeiros séculos posteriores àquele em que fora escrito (e, quando mencionado, poucos cristãos o fizeram). Roberio Fernandes é contrário a esse posicionamento. “Dirigir-se ao Imperador, em plena época em que os Imperadores Romanos ainda arrogavam para si o título de divino – a exemplo de Antonino Pio – destinatário da primeira carta de Justino, na qual há expressa referência ao citado documento oficial (Atos de Pilatos), e principalmente, quando se sabe que, além de outras incompatibilidades com o pensamento romano, o cristianismo pregava contra a crença na divindade dos imperadores, o que fazia com que a neófita religião não tivesse, em termos gerais, o aval do Império (com a ressalva apenas de que Antonino Pio fora, por longos anos, tolerante para com o cristianismo), ou dirigir-se ao Senado, em cuja época a dita Casa compunha um dos Poderes constituídos do Império Romano, poderíamos perguntar o que levaria Justino a desafiar o Imperador a averiguar se suas informações são verdadeiras ou falsas ou ainda querer questionar Crescêncio junto ao Senado, e, além disso, tendo sido tão enfático na lida de citar documentos oficiais romanos, sujeitos à inspeção pelo Império e Senado, conforme deixou bem exposto Justino! Claramente pode ser visto um ato de coragem e de convicção no que escrevia, notadamente com relação a fontes consultáveis.”
A mais antiga “mídia impressa” conhecida é a Acta Diurna que surgiu em Roma cerca de 59 A.C. Júlio César, desejando informar o público sobre os mais importantes acontecimentos sociais e políticos, ordenou que os eventos programados fossem divulgados nas principais cidades. Escritas em grandes placas brancas e expostas em lugares públicos populares, tais como as Termas, as Acta mantinham os cidadãos informados sobre escândalos no governo, campanhas militares, julgamentos e execuções. O pesquisador ainda lembra que “Se para se oferecer uma cerimônia improvisada havia o anúncio em registros públicos, quanto mais fácil é crer que um Governador de Província registraria seus feitos, os quais seriam de fácil acesso, assim como os demais registros públicos. Uma autoridade consular romana registrava seus feitos em Anais. As autoridades oficiais do Palácio faziam relatórios diariamente, embora estes, muito provavelmente, não se tornariam públicos, haja vista tratarem-se de questões internas, de interesse exclusivo do Imperador. Mas o que importa, aqui, é a certeza de que em Roma o registro público era algo extremamente comum e de farta estimulação” encerra o pesquisador a respeito da polêmica sobre o documento “Atos de Pilatos” e a relação dele com o condenação de Justino Mártir.
O estudo completo pode ser encontrado clicando aqui.
Muito mais que uma profissão de glamour, a Assessoria de Imprensa faz com que profissionais se desdobrem para conseguir espaço e divulgação das atividades em um mercado cada vez mais seletivo
por Marcello Ghigoneto
especial@blogdacomunicacao.com.br
Começo meu texto com uma pergunta clássica: para você, o que é Assessoria de Imprensa? Um universitário me responderá que é um instrumento de comunicação noticioso em forma de nota, matéria ou coluna em caráter não comercial, ou seja, diferentemente de Publicidade, esse espaço é adquirido gratuitamente. Já o profissional de redação interpretará de forma diferente, tendo em vista que em muitos setores desse mercado, esta relação jornalista (assessoria)—jornalista (redação) não é das mais harmoniosas, uma vez que há briga de egos e interesses. Mas eu vou entrar mais a fundo neste tema logo abaixo. Já para os assessores de imprensa, a profissão é o campo que trabalha a relação da empresa com a imprensa, bem como os interesses em comunicação, por meio de potenciais assuntos que possam virar noticias e gerar material jornalístico.
Saindo desta relação didática, vamos aos fatos. Você saberia reconhecer uma matéria fruto de Assessoria de Imprensa? Pois é! Muito mais que reconhecer, somos responsáveis pela imagem que a empresa apresenta perante a opinião pública. Em termos práticos, você é o que você divulga. Não existe algo desinteressante, existe estratégia infundada para a comunicação, motivo muitas vezes da briga entre assessores e imprensa.
O jornalista Bob Sharp, em sua coluna semanal no Jornalistas e Cia., definiu essa relação da seguinte forma: “é preciso cuidar dos interesses de quem lhe paga pelo trabalho e também dos interessas dos profissionais de imprensa. A linha que divide essas duas zonas é muito delicada, quase não existe. Saber ficar nela sem prejudicar um lado em detrimento de outro é uma arte, quase uma mágica”. Portanto é correto afirmar que essa relação, por mais que muitas vezes seja desgastante, é benéfica, pois visa satisfazer o interesse de ambas as partes.
O Assessor de Imprensa
“O assessor tem que ser chato e insistente junto a seu cliente. Não importa o quão apertada esteja a agenda do pretenso entrevistado. Atualmente, muitos assessores, temerosos pelo emprego, não ficam cheios de dedos ao solicitar ao executivo que atenda, tem que enfrentar a fera”, conclui Bob Sharp.
A fim de criar um ambiente de negócio interessante perante os veículos de comunicação e gerar satisfação total do cliente, o profissional tem de se relacionar. Na há nada que garanta que uma ação de relacionamento vá dar certo, porém, ao se conhecer o perfil desejado e o que se busca na divulgação, se estabelece um canal de contatos em que nenhum veículo de distribuição da informação deve ser desprezado. De uma forma ou de outra, atualmente, muito mais que requerente de espaço, vejo o assessor de imprensa atual como dinâmico. Identificamos problemas e apresentamos soluções para melhorar o relacionamento, executamos relações com jornalistas, promovendo o dialogo real e desenvolvimento de um clima de boa vontade em relação aos assessorado, seus produtos, serviços, filosofias, com a finalidade de integrá-lo à sociedade.
Tendências de mercado: Bom ou ruim?
Oportunidades não faltam. Porém, a tendência é a retaliação, principalmente pela crise mundial que afeta não só o Brasil como o mundo. Muitos colegas se encontram em uma nova realidade, que é positiva, mas que gera aspectos negativos. Um novo termo assombra o mercado: assessoria de imprensa particular, profissionais liberais que atuam no mercado com preço abaixo da realidade proposta inclusive pelos conselhos que regem a categoria.
O lado positivo está na oportunidade de pequenos negócios e microempresários divulgarem seu trabalho na mídia em geral. Porém, muitas vezes esse serviço é feito de forma amadora, e o resultado não é o esperado, até porque é um trabalho que colhe resultados de médio a longo prazo, como afirma Valéria Campos Siqueira: “mensurar resultados qualitativos tem se mostrado uma tarefa árdua para os profissionais de Assessoria de Imprensa e Relações Públicas. Some-se a isso a obtenção de resultados a longo prazo, característica essencial da atividade, e tema que mais inquieta os profissionais da área na atividade”, conclui.
Alguns podem pensar que estou sendo pessimista, porém, temos de deixar bem claro aos assessorados que é um trabalho passo a passo. Não adianta sonhar que vai aparecer no Jornal Nacional, ser capa da Veja e que o Gugu vai fazer um especial de 15 minutos com seu produto. Toda divulgação é válida, pois o resultado final está na exposição, Porém, não temos formula mágica para consolidar um negócio de comunicação em 30 dias.
Outro fator que gera aspectos negativos está no valor cobrado. Você tem a flexibilidade de serviços. O preço é cobrado por mídia conquistada, ou seja: Você quer que seu produto apareça na Revista Contigo? São R$ 500, metade agora e metade na obtenção da matéria. Uma fórmula mágica, pois bato na tecla, não se promete resultados em comunicação, elaboram-se estratégia que visam a conquista do relacionamento com a mídia em que nenhum veículo pode ser descartado.
Satisfação pela conquista
Não tem nada mais glorioso para um profissional do mercado em ver e sentir a satisfação do cliente com o trabalho desenvolvido. Em 2006, trabalhei em uma empresa pela qual tínhamos, entre vários clientes, uma confecção que utilizava como matéria-prima lona de caminhão. Certo dia, conseguimos um espaço em um jornal de bairro, “Ipiranga News”. Tiragem pequena e distribuição apenas na zona sul de São Paulo. Era o lançamento da coleção outono/inverno. Em termos de resultado, sucesso total. Segundo um dos donos da marca, em um final de semana, acréscimo de 15% no movimento em sua loja. Não que isso tenha sido revertido em vendas, mas o negócio dele estava saindo do anonimato. Quando o mesmo questionava o cliente como havia conhecido a marca, a resposta era imediata. Sempre a mesma. “Eu vi uma matéria em um jornal e adorei as peças”.
É trabalhoso, árduo, mas os frutos são para lá de excelentes. Em outra oportunidade, atendíamos um feira de negócios para o setor hoteleiro, pousadas e afins. Posso garantir que, até o mês que antecedeu a feira, eu nunca havia feito tanto release, contatos, entrevistas e, por conseqüência, me divertido, pois muitas vezes temos de rir para não chorar.
A feira foi um sucesso total, conseguimos espaço na Globo, Bandeirantes, SBT, além de divulgação dos produtos em revistas, jornais e programas de televisão. Para mim, não faltou orgulho e satisfação. Voltei para minha casa com presentes: aguardente de Minas Gerais, pratos e jarras que não quebram, doces de banana e caju, mas, muito mais que isso, percebi alegria por nossos serviços terem correspondidos à satisfação do cliente, divulgação total de seus produtos em termos de mídia.
Meu campo de trabalho e o que eu aprendi
Atualmente, trabalho na Linkpress Assessoria & Comunicação. Trabalhamos com a área de imprensa da Honda Brasil. Entre os serviços que realizamos, está assessoria de imprensa, Eventos, mídia training, produção de house-organ etc. Tudo que está ligado à comunicação da Honda, somos nós que desenvolvemos. Minha função é planejamento da frota (carros e motos) para a imprensa. Em termos claros, busco divulgação nas revistas, jornais, programas de TV e sites. Aprendi a admirar essa empresa e hoje luto pelos ideais da marca. Qualquer revista que eu abra e veja o nome Honda, sei que direta ou indiretamente apresenta fruto de nosso trabalho.
Uma pergunta rápida para um pensamento anda mais rápido. Quando você pensa em Honda, seja carro ou moto, qual sua impressão? Pois bem, nós somos os responsáveis por esse pensamento, trabalhamos o relacionamento com as diversas mídias para obtenção da imagem positiva e consolidada.
Nestes anos de mercado, pude aprender diversas lições. Acho que a mais importante está em acreditar que tudo poder ser divulgado. O que muitas vezes para mim pode não ser interessante, pode ser para um outro veículo de comunicação. Volto a afirmar: não existe produto desinteressante, existe técnica infundada. O propósito da Assessoria de Imprensa é gerar relacionamento e divulgação perante a mídia, obtenção total da satisfação do cliente no campo da comunicação.
Lembrem-se, se procurar esse serviço buscando vendas, a estratégia pode estar equivocada, pois nossa atividade visa desenvolver atividades de relacionamento com a mídia, buscando construir, formar e manter uma reputação positiva, seja ela um produto, empresa, pessoa física ou jurídica.









