por Nalim Garzesi
nalim@blogdacomunicacao.com.br
As inscrições pra fazer parte do ProUni (Programa Universidade Para Todos), do MEC, começaram ontem, 24 de novembro. Os interessados devem se acessar a página do programa na internet para se cadastrar, o prazo se encerra no dia 12 de dezembro. O site, ajuda a saber quais instituições estão cadastradas, ver a ficha de inscrição e os cursos cadastrados. Para o próximo ano, 156.416 bolsas serão disponibilizadas para o estudante cursar universidades particulares. De todas as bolsas disponíveis, a maioria são integrais, com 95.694 e o restante, cerca de 60.722, equivalem a 50% do valor da mensalidade. Para ter o direito da bolsa integral, o estudante deve comprovar que possui uma renda familiar de até R$622,15 que é equivalente a um salário mínimo e meio, por pessoa. Já no caso das bolsas parciais, o valor por pessoa sobe para R$1.245, o que corresponde a três salários mínimos.
Outras informações sobre o ProUni, no site do MEC.
por Fernanda Pereira
fernanda@blogdacomunicacao.com.br
Muito se tem reclamado da educação nesse país. Eu mesma já postei um “desabafo-reclamação” a respeito da qualidade da Universidade onde estudo. Mas dessa vez é diferente. Vou mostrar como é possível, com força de vontade e participação integrar os alunos na escola e desenvolver neles capacidades que, talvez, eles nem imaginassem que tinham. Em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, existem alguns projetos de organizações não-governamentais voltados para a infância e a adolescência. Um deles é o Projeto Jovem Repórter, realizado pela Girassolidário – Agência em Defesa do Direito da Infância e Adolescência.
O Jovem Repórter busca estimular e ensinar as técnicas de comunicação aplicadas ao ensino regular, pricipalmente dos adolescentes, quando eles começam a tomar contato com o mundo a sua volta e a perceberm o seu papel de cidadão. A Educomunicação, é uma importante e eficaz ferramenta de inclusão social. Durante as oficinas do Projeto, os estudantes debatem sobre cultura de paz, Direitos e Deveres da Criança e do Adolescente, o seu papel na sociedade, cidadania e ao final dos oito encontros produzem um jornal, que é entregue para toda a comunidade escolar e nos bairros onde moram. “A participação dos jovens comprovou que o fazer da comunicação, aliado aos debates e reflexões sobre a realidade, desenvolve não só o aprendizado de técnicas de produção de jornais, mas também estimula o olhar crítico sobre o mundo em que vivem e permite que exponham suas idéias e opiniões”, explica a jornalista resposável pelo projeto Ivanise Andrade.
Construir jovens conscientes de seu papel na sociedade futura, eis a grande tarefa dos educadores. É fato que muitas salas de aulas não estão dando conta desse trabalho, dessa missão, é aí que entram projetos como esse e como o trabalho desenvolvido por Laís Dória, na Casa de Ensaio. A Casa de Ensaio existe para resgatar a cidadania e expandir conhecimentos de crianças e adolescentes através da arte. Desde 1996 atua com teatro-educação criando oportunidades que vão muito além dos palcos. Um trabalho de transformação social que faz bem a quem assiste e a quem é assistido. “Uma escola de verdade só que de brincadeiras.” As crianças e adolescentes tomam contato com os diversos tipos de arte, dança, canto, interpretação, leitura são todas atividades com as quais os jovens trabalham e através dos quais são incentivados a buscar um horizonte mais amplo.
O Projeto Jovem Repórter em 2008 atendeu cerca de 120 adolescentes e está com oficinas na última escola desse ano, a Casa de Ensaio acabou de apresentar seu espetáculo de final de ano com 3 dias de teatro lotado. São formas de colaborar com um mundo melhor, mais justo e acima de tudo inlcusivo. O brilho nos olhos de cada adolescente ao ver o jornal que eles mesmos produziram ser entregue e o de um pequeno ator no palco de um espetáculo, é um ode alegria na alma daqueles que realizam ações como essa. E na sua cidade, o que tem sido feito para ampliar os horizontes dos futuros adultos desse país?
Assita a uma matéria apresentada em um jornal local sobre a Casa:
por Leando Alves
leandro@blogdacomunicacao.com.br
João Candido, o Almirante Negro, é uma personalidade fascinante na história do Brasil: mais do que ler livros, ele protagonizou um dos momentos de importância irrefutável para a democracia nacional: a “Revolta da Chibata”, que aconteceu no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, de 22 a 27 de novembro de 1910. Nascido na província do Rio Grande do Sul, o filho dos ex-escravos João Felisberto Cândido e Inácia Felisberto, demonstrava desde menino um espírito de um autêntico líder e albergava no peito a veleidade de ser marinheiro, somada a um incontido amor pela pátria e pela democracia.
A marinha, no fim do século XIX, tinha dificuldade de preencher seus cargos e era o destino de pessoas de cor negra, no geral, recrutadas pela polícia e acusadas de infratoras da lei. Os cargos maiores eram ocupados pela elite da época. Assim começou a história de João Candido: certa tarde, enquanto observava o trabalho do pai que conduzia gados para os navios, o menino apanhou uma vara e desenhou no chão o cenário de trabalho do pai: bois e cavalos. De repente, foi repreendido pelo neto do patrão, que o humilhou, dizendo que negro não desenhava, só pintava.
Pungido pela dor, ele, num ímpeto, lança sobre ele a vara que tinha nas mãos e foge, se escondendo numa caverna, passando fome, frio e sede. Foi apanhado à noite e, com o intuito de puni-lo, o dono da casa onde seus pais viviam por vontade própria, lhes comunicou que ele seria levado pelas mãos do então capitão de fragata Alexandrino de Alencar. No entanto, João ainda precisou aguardar pelo alistamento, pois era muito jovem. Enquanto isso, morou nos fundos da casa do capitão e trabalhou numa fábrica de tecidos com um pequeno ordenado. Surpreso com o amor do garoto pelo serviço militar o capitão o levou para ver de perto o serviço e delegou um subalterno para que lhe contasse tudo.
João Candido se alistou nas forças armadas em 1894, ao completar 14 anos. Ao contrário dos outros companheiros de navio ele chegou com uma carta de recomendação a título de cuidados especiais na cidade de Porto Alegre, capital gaúcha. Desde o inicio ele se destacou dos outros por seu espírito de liderança: ele apaziguava brigas, resolvia conflitos internos dentro do navio e era sempre atento aos problemas coletivos. Isso fez com que seu prestígio entre os componentes da elite crescesse e até para audiência com o presidente João foi chamado. Passou a viajar não só no país, mas pela rota internacional e selecionar os marujos infratores que seriam castigados na guarnição. João possuía as qualidades de um comandante: sabia ser solidário e ter braço firme na hora certa. Nessa época, João começa a dialogar com o governo, propondo o fim das chibatadas, castigo que era imposto aos mulatos desobedientes por carrascos e na presença de milhares de pessoas. Suas falas começaram a provocar tenção entre ele e os políticos.
A popularidade do Almirante Negro sofreu um declínio e, ao longo da sua vida, ele alterna seus dias entre o navio, a prisão e o hospício. Passa também a ser acometido por diversos problemas de saúde.
Muitos anos se passam e João, já um homem, lidera junto com seus companheiros a “Revolta da Chibata.” Desde as primeiras horas do dia 22 de novembro de 1910, os negros foram convocados para a luta armada. Munidos de canhões e armas de uso manual, eles surpreendem seus comandantes que foram violentamente agredidos. O movimento causa pânico na população carioca depois da morte do comandante Mario Lahmeyer, que foi fuzilado ao tentar fugir numa canoa para buscar socorro. Os negros mandavam mensagens a todos, afiançando que nada fariam a ninguém: o que eles queriam era o fim das chibatadas. O governo ainda tentou resistir colocando 2.630 homens contra os 2.379 rebeldes. Tarefa inexeqüível. Os negros estavam aglomerados em um navio chamado “Minas Gerais”, cujo poder de fogo era imensuravelmente maior. Por sorte, o senador Rui Barbosa passa a interceder por eles no senado e, no dia 27 de novembro, todos são anistiados politicamente, ficando livres dos maus tratos. João agradece os favores em prol da causa deles e avisa ao comandante José Carlos Carvalho, dizendo que se os houvesse enganado, ele seria punido: eles venderiam caro suas vidas .
Estava terminada a revolta.
João Candido, o Almirante Negro, morreu no hospital Getúlio Vargas, de câncer no intestino em 1969. Em 1970 a dupla de compositores João Bosco e Aldir Blanc, sob a ajuda de um cineasta chamado Claúdio Tolomei, que sabia um pouco sobre João, escrevem a canção “Mestre Sala dos mares” e a memória dele ecoa por todo o país por meio do canto de Elis Regina. A letra precisou ser modificada inúmeras vezes por causa da ditadura militar.
Hoje, anos depois, nossa mocidade sente na boca o gosto da doce liberdade com que nosso companheiro sonhava. Vivemos num país em crise sim: corrupção de pessoas ligadas ao governo, a impunidade de pessoas ligadas ao tráfico de drogas e a toda sorte de crimes que se possa imaginar; no entanto, temos a liberdade democrática das urnas e, acima de tudo, temos uns aos outros. Rememorar João Candido é uma forma de aprendermos com seu amor por um mundo melhor e, só assim, poderemos mudá-lo: só faz história quem tem memória.
Fonte bibliográfica: livro “O negro da Chibata”, de Fernando Granato, da Editora Objetiva – primeira edição 2006.
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