por Elisabete Lima
elisabete@blogdacomunicacao.com.br
Pra mim, é tão surreal falar de racismo. Já seria em qualquer época, quem dirá em 2012! É inacreditável que ainda haja julgamento de caráter por conta da cor da pele. Mas, lamentavelmente, há! E em todos os pilares da sociedade.
Em se tratando de esportes, é mais comum nos depararmos com casos de agressões racistas no futebol. Muitos jogadores, inclusive brasileiros, sofrem discriminação por toda a Europa. E acreditem, aqui na América do Sul também. As últimas vítimas foram os jogadores do Vasco da Gama, Dedé e Renato Silva, em partida válida pela Libertadores, no Paraguai. Os torcedores do Libertad xingaram os jogadores vascaínos e atiraram objetos.
Recentemente, outra vítima no futebol foi o jogador da Roma e da seleção brasileira, Juan. Durante uma partida do campeonato italiano contra a Lazio, o zagueiro brasileiro sofreu ofensas racistas de parte da torcida adversária. Os torcedores imitaram macacos, fazendo o som e gesticulando como os mamíferos que mais se assemelham a nós, seres humanos. Aliás, ser humano, que raça deplorável! A única na natureza que ataca animais da mesma e de outras espécies, sem fundamento algum.
Infelizmente, a estupidez do racismo saiu das quatro linhas do gramado e invadiu as quadras. Há duas semanas, o jogador de vôlei Wallace, do Cruzeiro, ouviu em alto e bom som de uma torcedora do Minas: “Vai lá macaco! Volta pro zoológico!”. Lamentável!
Para combater manifestações racistas, são feitas campanhas em todo o mundo. Grandes ídolos do esporte levantam essa bandeira, mas isso não é suficiente! Enquanto não existirem punições severas contra os agressores, nada vai mudar. De acordo com as leis brasileiras, o clube do torcedor e/ou jogador agressor, deve pagar multa, além de correr o risco de perder o mando de jogos, perder pontos no campeonato ou mesmo ser eliminado da competição. Você já viu algum time ser desclassificado por racismo? Nem eu! A Lazio vai pagar uma multa medíocre de 20 mil euros à Roma pelas ofensas ao Juan. Em relação ao Libertad, ainda estuda–se a punição.
O que seria do esporte sem os grandes e geniais atletas negros? Obrigada negro Pelé, negro Muhammad Ali, negro Michael Jordan, negro Anderson Silva, negra Daiane dos Santos, negro Tiger Woods, negra Aida dos Santos, negro Usain Bolt e tantos outros que fazem parte da memória do esporte.
Exposição em excesso do Corinthians na TV. Vale tudo pela audiência? Brasil tem no mínimo 12 clubes grandes dona Globo…
por Guilherme Freitas
guilherme@blogdacomunicacao.com.br
Quatro jogos consecutivos. Não estou falando de um time ter ficado este número de partidas invicto, ou sem vencer, ou sem marcar um gol. Me refiro ao número de jogos do Corinthians exibidos pela TV Globo nas últimas quatro vezes para o estado de São Paulo. Foram duas partidas pela Libertadores e mais duas partidas pelo Campeonato Paulista. Não sei se você caro leitor pensa como eu, mas creio que a Globo está tentando enfiar goela abaixo do telespectador paulista que o Corinthians é maior que seus rivais, algo que sempre fez no Rio com o Flamengo. Tenho alguns argumentos para defender meu pensamento. Vamos a eles.
Já notaram como é a transmissão da emissora em jogos do Corinthians? Cleber Machado nem parece ser santista (ele disse certa vez torcer para o Santos). Ao invés de narrar os jogos, torce como se estivesse na arquibancada e se exalta em jogadas contra a equipe. Caio sempre elogia e Arnaldo Cesar Coelho raramente vê faltas contra o time alvinegro. Por incrível que pareça o mais “corintiano” é o mais lúcido. Casagrande, ídolo do clube e comentarista, critica a forma do Corinthians jogar e o analisa como realmente é: um time forte e que joga para vencer, mas quase sempre sem espetáculo.
O que mais motivou a escrever este artigo foi o fato da Globo ter preterido um clássico entre São Paulo x Santos e ter transmitido Corinthians x Comercial. O detalhe é que o Corinthians estava com seu time reserva, fato que foi omitido durante a transmissão toda, como se nós do outro lado da TV fossemos completas amebas. Além disso, durante a primeira fase da Libertadores o Corinthians terá cinco transmissões na TV aberta contra apenas uma do Santos, que tem Neymar e Ganso. Para a Globo o que vale é audiência e o Corinthians tem a maior torcida. Pronto. Ela não está nem ai para os demais torcedores de São Paulo, Santos e Palmeiras que não tem pay-per-view ou Sportv.
O Brasil tem pelo menos 12 grandes clubes (Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco). Mas a Globo quer afunilar, e transformar o futebol brasileiro em um Campeonato Espanhol tupiniquim. Quer que Corinthians e Flamengo sejam os maiores do país. Prova disso é a histeria em torno dos dois (agora tem até jogador do Flamengo na novela das oito) e também o fato dos dois receberem as maiores cotas de direitos televisivos.
Entendo que por terem as maiores torcidas e audiência na TV eles receberão mais atenção e dinheiro, mas privilegiar dois clubes no Brasil é ridículo. Nosso país tem proporções continentais. Um Brasileirão, com seu equilíbrio e imprevisibilidade, equivale a uma UEFA Champions League, onde normalmente bicampeões genuínos são uma raridade. Um estadual é semelhante a um Espanhol da vida, com menos de quatro times com chances de vitória. Sei que tomarei porrada de flamenguistas e corintianos (além de fãs da Globo, rs), mas este é o meu ponto de vista. E já digo que alguns corintianos com que conversei sobre o assunto concordam comigo e que também não fui o primeiro a tocar no assunto.
por Bernardo Cançado com a colaboração especial de Artur Carvalho.
bernardo@blogdacomunicacao.com.br
Errar é humano, aprender também. Para a Itália, perder a quarta vaga da Liga dos Campeões para a Alemanha na temporada 2010/2011 foi algo lastimável, retrato do enfraquecimento dos clubes, da organização do futebol e da própria economia local. Convenhamos que merecidamente, pois o Campeonato Alemão (Bundesliga) é um campeonato mais organizado, sustentável e com a melhor média de público de um campeonato nacional no mundo.
Já fazia algum tempo que o futebol italiano estava vivendo uma crise técnica, mesmo com a Internazionale na temporada 2009/2010 tendo conquistado o título da Liga dos Campeões sob o comando do português e então técnico dos Nerazzurris, José Mourinho. O desempenho de equipes como Milan, Juventus e Roma havia caído assustadoramente.
Para o italiano Carlo Ancelotti, atual treinador do PSG e que naquele mesmo ano treinava o Chelsea, em uma entrevista ao jornal La Repubblica, Ancelotti discorreu que a crise do futebol italiano era transitória, devido ao pouco investimento, talento e muitas dificuldades na seleção. Se em outras épocas, as táticas italianas faziam diferença, hoje os outros as alcançaram. Com esta nova realidade ou o campeonato piorava de vez ou tentava se reerguer e nesta temporada o que vemos é o fortalecimento dos maiores clubes da Itália e principalmente da seleção nacional. Um exemplo disso é a média de idade dos maiores clubes: o que girava em torno de 27 e 28 anos atualmente vem caindo, com algumas equipes atingindo 24 e 25 anos, prova da renovação do futebol no país.
De 2010 para cá, Milan, Juventus, Roma, Lazio e Napoli reformularam seus elencos apostando em técnicos novos com mentalidades de jogo bem diferente dos antigos, e principalmente na aposta em revelações locais e jogadores sem espaço nas grandes Ligas da Europa.
O Milan acertou ao contratar o técnico Massimiliano Allegri, o contestado Robinho que vive grande fase e forma um bom ataque com o “Senhor Campeonato Italiano” Zlatan Ibrahimović, o bom volante Nocerino, a revelação italiana Stephan El Shaarawy, o ótimo meia Kevin-Prince Boateng. Na defesa o seguro Philippe Mexès dentre outros que ocasionaram ao Milan a quebra da supremacia da Inter no campeonato em 2010/11. A equipe de Allegri tem o desafio supremo pela frente, pois irá enfrentar na Liga dos Campeões o poderoso Barcelona do técnico Guardiola e do incomparável Messi, que vem fazendo história no futebol com seus belos gols e jogadas. A classificação é difícil, mas não impossível. Já no Italiano, o Milan segue tranquilo na ponta.
A Juventus contratou e dispensou muito também, principalmente após a chegada do treinador italiano Antonio Conte, que veio do Siena para comandar o seu time do coração. Para fortalecer a defesa trouxeram o uruguaio campeão da Copa América, Martín Cáceres, o campeão do Mundo em 2006, Andrea Barzagli, a revelação italiana Leonardo Bonucci e o seguro lateral suíço Stephan Lichtsteiner. Para o meio campo, o maestro Andrea Pirlo e o chileno Arturo Vidal. Para o ataque, a “Velha Senhora” contratou Mirko Vučinić, Eljero Elia e o matador Alessandro Matri. A Juve segue colada no líder Milan, prometendo um duelo ponto á ponto pelo título.
A Roma foi um dos times que mais seguiu a linha de reformulação nestes últimos dois anos. Contratou o técnico do Barcelona B, Luis Enrique, o goleiro vice-campeão mundial Maarten Stekelenburg, o jovem lateral espanhol José Ángel, o experiente Gabriel Heinze, Simon Kjær, os meias Marquinho e Erik Lamela, Miralem Pjanić, Fernando Gago que vinha sem espaço no Real Madrid e entres os atacantes o argentino naturalizado italiano Pablo Osvaldo, Bojan Krkić sem espaço na máquina catalã do Barcelona e a revelação Fabio Borini que vem conquistando espaço no ataque da seleção Azzura. O time começou mal o campeonato mas vem numa crescente boa, mas ainda assim amarga quatro pontos de distância de uma vaga em uma competição continental.
A Lazio vem fazendo bonito no campeonato, comandada pelo contestado esloveno Edoardo Reja, com Klose, Mauri, Hernanes e companhia. O time sonha em retornar a Liga dos Campeões na próxima temporada, o que não será tão fácil, pois a diferença para Udinese e Napoli é de apenas um ponto e ambas equipes vêm jogando um futebol bonito e eficiente. Será uma briga boa.
O Napoli ainda de ressaca pela frustrante eliminação frente ao Chelsea pela Liga dos Campeões promete embalar novamente com seu trio de ferro Cavani, Lavezzi e Hamšík, liderados pelo ótimo Walter Mazzarri que está no clube desde 2009. A equipe que teve um começo ruim principalmente por priorizar a Liga dos campeões, vem recuperando posições e já se encontra colada nos líderes. Dona da melhor defesa do campeonato com somente 13 gols sofridos, a equipe acertou nas ótimas contratações de Inler e Vargas.
A Udinese vem fazendo bonito no campeonato e se continuar com as ótimas atuações de Di Natale, um dos artilheiros da competição, não deve dar chance á Roma de abocanhar a tão desejada vaga em uma competição européia. A equipe vem jogando bem e teve a oportunidade de passar o Nápoli na tabela, mas acabou cedendo um empate em casa na última rodada.
A decepção do campeonato fica por conta da Internazionale. Seria necessário um artigo completo para tentar descrever como um time campeão da Liga dos Campeões pode cair tanto de rendimento, principalmente pelo fato da equipe continuar praticamente a mesma, contando apenas com a saída de Eto’o, que foi imediatamente substituído por Diego Forlán. Após quebrar um jejum de sete jogos sem vencer, a Inter voltou a tropeçar no campeonato. Os Nerazzurri decepcionaram a torcida presente no Giuseppe Meazza com direito a pênalti perdido por Diego Milito. Ficaram em um 0 a 0 magro e entediante contra a Atalanta. O revés derruba a equipe de Claudio Ranieri (que precisa se reinventar para voltar a conquistar títulos) para o 8º lugar na tabela, cinco pontos de distância da briga pelas competições continentais.
Fechada a 28ª rodada do Campeonato Italiano, podemos verificar que a briga pelo titulo ficará entre Milan (60) e Juventus (56), contudo a briga pela terceira vaga à fase preliminar da Champions League e consequentemente a quarta vaga à Europa League promete ser acirrada entre Lazio (48), Napoli e Udinese (47), além da Roma (44), mesmo que sem o seu capitão e ídolo Francesco Totti.
O campeonato vem ganhando força novamente, ainda que não tenha atingido um altíssimo nível técnico como no início dos anos 90. Porém, a disputa acirrada pelo título e pelas vagas em torneios continentais, promete um grande espetáculo daqui até o final da temporada.
Cerchiamo di seguire!
por Elisabete Lima
elisabete@blogdacomunicacao.com.br
Complementando o artigo de Leandro Lopes, logo abaixo, aqui vão alguns números de Lionel Messi.
Nascimento: 24 de junho de 1987, em Rosário, na Argentina (24 anos)
Altura: 1,69 m
Peso: 67 Kg
Camisa: 10
Início da carreira: Aos sete anos de idade jogando pelo Newell’s Old Boys, da Argentina. Aos 11 anos foi diagnosticado com um problema hormonal que retardava o desenvolvimento ósseo.
Estreia profissional com o time principal do Barcelona: 16 de Novembro de 2003. Integrado ao time principal na temporada 2003-2004 aos 16 anos.
Primeiro gol como profissional: 16 de Outubro de 2004, aos 17 anos, contra o Espanyol válido pelo Campeonato Espanhol.
Primeiro grande título como profissional: La Liga 2003-04
Início do auge: Temporada 2006-07
Capitão desde: 2011
Contrato com o Barcelona: válido até junho de 2016
Multa rescisória: Avaliada em € 300 milhões (R$ 800 milhões)
Salário anual (estimado): R$ 37,3 milhões. Com patrocínios chega a R$ 78 milhões. Atualmente, é o jogador de futebol mais bem pago do mundo.
8 Patrocinadores: Adidas, EA Sports, Pepsi, Herbalife, Dolce & Gabbana, Audemars Piguet, Chery e Air Europa
Bola de Ouro da FIFA, melhor jogador do mundo: em 2009 2010 e 2011 (3º jogador a conquistar o feito. Apenas Ronaldo Fenômeno e Zidane alcançaram a marca de três títulos, mas não em anos consecutivos, como o argentino)
100º Gol pelo Barcelona: 16 de Janeiro de 2010
Tornou-se o maior artilheiro da história do Barcelona: No dia 20 de março de 2012, ao marcar seu 234º gol
Prêmios individuais: 37
Jogos pelo Barcelona A e B: 314 / Gols pelo Barcelona A e B: 234 / Assistências pelo Barcelona A e B: 93
Títulos pelo Barcelona: 27
Jogos pela Seleção Argentina: 67 / Gols pela Seleção: 22 / Assistências pela Seleção: 20
Títulos pela Seleção Argentina: dois, Mundial Sub-20 em 2005 e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008
Lionel Andrés MESSI
Por Leandro Lopes
leandro@blogdacomunicacao.com.br
Não há quem trate a bola tão bem há décadas. Talvez jamais tenha havido, por assim dizer, alguém tão habilidoso e frio com ela nos pés. O futebol apresentado por Lionel Messi é maravilhoso. Digno de colocá-lo no Olimpo da bola e estabelecer uma nova era futebolística: antes e depois de Messi. Claro, há jogadores memoráveis. Garrincha, por exemplo, sempre será exaltado em terras tupiniquins, Messi, porém, atingiu patamar próximo da perfeição. É preciso reconhecer.
O esporte, seja ele qual for, tem a capacidade de produzir heróis. O argentino, com 24 anos, já é um deles. Não há no mundo alguém que não queira vê-lo jogar, e também não há alguém que jogue como ele. Eleito de forma consecutiva três vezes o melhor jogador mundo, Messi parece estar noutro nível. Soberano.
Maradona é tratado como deus na Argentina. Literalmente. Os hermanos, carentes de alguém a quem exaltar e comparar a Pelé, transformaram o Pibe em misticismo; forma que encontraram de mostrar fanatismo. As comparações, claro, não demoraram. Maradona, lá, é maior. Eleito por seus súditos. Motivo? Copa do Mundo. Não me valha esse argumento que vencer uma Copa mude o estilo ou capacidade de um atleta da bola. Se assim fosse, Viola seria grande, e do Olimpo, o ex-corinthiano não é convidado a passar perto.
Pelé é grande, imenso. Jogando futebol foi impecável – ou próximo disso. Não cabe a esse autor defender o futebol do rei, até porque, os gols, o estilo, os dribles, e ele, o futebol, se defendem sozinhos. Acontece que no Brasil nascemos com duas máximas impostas: deus existe e Pelé é o maior. Discordar de tais dogmas significa não ser brasileiro. Concedo-me o direito de ser diferente, e, vez ou outra, questionar a existência divina, além, é claro, de refletir, sim, tamanha superioridade de Pelé. Não estou tão certo quanto a isso. Afinal, como sabemos nós, os amantes da bola, o futebol não mais será como nos tempos da Copa de 58, e a preparação física, a primazia da marcação, e o perfeccionismo de esquemas táticos, se fazem notar como nunca antes.
Não se pode comparar grandes jogadores como esses três. Comparações sempre são falhas, uma vez que não são dispostas de igualdade. O que cabe a nós é imaginar e fantasiar com um ataque com os três gênios. Maradona de um lado, Messi do outro, e Pelé no centro. Que ataque seria! Que prazer seria! Mas assim não é. Quem jogou – ou ainda joga – mais, pouco importa. Se Pelé era grande finalizador, Maradona armava jogadas com facilidade, se Maradona armava, Messi dribla em progressão ao gol, e se todos eles fazem tudo isso, felizes nós!
Messi é incomparável. E ainda há, pasmem vocês, quem pense o contrário.
por Guilherme Freitas
guilherme@blogdacomunicacao.com.br
“Massa tinha a desculpa de não ser capaz de obter o melhor aquecimento dos pneus. Esse ano acontece o contrário: ele os destrói em algumas voltas. Felipe é inútil para a equipe e não soma pontos para o campeonato. Massa é agora a sombra do belo piloto de antigamente. Desculpe dizer, mas é inútil negar o óbvio: que o piloto não existe mais desde julho de 2009. Apagou a luz do talento. A Ferrari precisa de um piloto rápido ao lado de Alonso e deve ter a coragem de cortar o cordão umbilical com Massa. Não depois desta temporada, mas agora ou dentro de algumas semanas”. As duras palavras são do jornalista italiano Alberto Sabbatini, da prestigiada revista de automobilismo Autosprint. Sabbatini deveria ter pego mais leve com Massa? Não.
De fato, o Felipe Massa que está sentado atualmente no cockpit número 6 da Ferrari é diferente daquele que venceu o Grande Prêmio do Brasil em 2006 e daquele que lutou pelo título mundial em 2008 até a última volta. Parece que o acidente no dia 25 de julho de 2009 foi um divisor de águas para a vida do piloto brasileiro. Desde que a mola do carro de Rubens Barrichello o acertou na cabeça ele não é mais o mesmo. Mas porque Massa teve uma queda de rendimento tão brusca? Seria medo de sofrer um acidente mais forte que anterior? Agora que é pai ele tem mais receio ao se arriscar na pista? Ou a motivação foi mesmo para o além?
Acredito que seja um pouco de tudo isso. Felipe não parece estar mais feliz na escuderia italiana. Não vejo mais o brilho nos olhos dele dentro do capacete e nem aquele piloto que vibrava com as vitórias. Em 2010 foi totalmente um coadjuvante, tendo que deixar Fernando Alonso vencer o Grande Prêmio da Alemanha. No ano seguinte foi ainda pior e sequer subiu ao pódio nas 19 etapas do Mundial. Começou 2012 dizendo que era hora da virada e que estava motivado. Mas o carro da Ferrari é ruim e Massa começou mal. No Grande Prêmio da Austrália fez uma boa largada, mas andou no pelotão de trás e ainda bateu em Bruno Senna. Melancólico.
Desde que Michael Schumacher chegou a Ferrari, a escuderia não costuma substituir seus pilotos no meio da temporada. Aconteceu apenas em 1999 e 2009, mas apenas por Schumacher e Massa terem sofrido sérios acidentes. A imprensa italiana pede o veterano Jarno Trulli em seu lugar. E até o nome de Barrichello foi cogitado. Não acredito que o time italiano dispensará o brasileiro agora, mas se o carro continuar tendo problemas isso poderá acontecer após a metade da temporada. Massa precisa reagir, até para mostrar a outros times que ainda tem potencial para permanecer na categoria. Afinal, hoje na Fórmula 1 são poucas as equipes que pagam para os pilotos correrem.
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