por Kika Cirra
entretenimento@blogdacomunicacao.com.br
Cazuza afirmou: “O Tempo não para”…Não para e passa muito rápido. Há vinte anos, o Brasil perdia um dos maiores ícones do pop rock nacional. Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, morreu aos 32 anos vítima da AIDS, doença que na época não contava com os avanços da ciência, que oferecia poucas possibilidades terapêuticas.
Desde que assumiu ser portador do vírus HIV em 1987 até sua morte em 1990, foram três anos de uma luta árdua do artista e de sua família pela vida e contra o preconceito. Cazuza passou por inúmeras internações em hospitais do Rio, São Paulo e Boston. Chegou a pesar 38 quilos e a se locomover em cadeira de rodas, mas morreu produzindo como nunca e deixando aos seus fãs e à música brasileira um legado, que vem atravessando gerações. Gravou três álbuns com o Barão Vermelho, conquistando disco de ouro com Maior Abandonado (o terceiro da banda). Em 1985, deixou os companheiros de estrada para alçar vôo solo. No mesmo ano lançou Exagerado, seguido de Só se For a Dois e Ideologia.
Já debilitado pela doença, Cazuza foi ovacionado ao receber em 1989, numa festa no Copacabana Palace, (Rio) o Prêmio Sharp de melhor álbum por Ideologia e melhor música com Brasil, que ganhou o país na voz de Gal Costa como tema da abertura da novela “Vale Tudo”, de Gilberto Braga.
Composições como Faz Parte do Meu Show, Todo Amor Que Houver Nessa Vida, Ideologia, Codinome Beija-Flor, Maior Abandonado, Pro Dia Nascer Feliz, e tantas outras, foram gravadas por inúmeros intérpretes ou por ele próprio, e até hoje fazem sucesso absoluto, o que prova que sua obra é e sempre será atemporal.
O menino irreverente e rebelde que apareceu na cena musical brasileira aos 23 anos como vocalista do Barão Vermelho, ao lado de Roberto Frejat, Guto Goffi, Dé e Maurício Barros, continua inflluenciando gerações. Conversei com alguns de seus fãs, entre eles a universitária paulistana Gabriela Mendes, de 20 anos, que conhece toda a sua obra e vê nele o maior poeta do cenário pop de todos os tempos. Gaby, como é conhecida, é estudante de enfermagem, e afirmou ter escolhido esta profissão como forma de auxilio direto a pacientes soro-positivos. Me confidenciou também que o seu maior desejo é trabalhar ao lado de Lucinha Araújo na Sociedade Viva Cazuza e para isso, tão logo termine o curso irá mudar para o Rio de Janeiro. Já o músico carioca Heron, 19, é compositor e vocalista de uma banda de rock no Rio de Janeiro e se diz total e “loucamente” influenciado pela obra de Cazuza, o que fica muito claro em suas composições.
Faz parte do meu show…
Em se tratando da paulistana Silene do Valle nenhuma outra frase poderia descrever de forma mais absoluta a sua paixão por Cazuza e sua obra: “Cazuza é doce e ácido, é a ausência mais presente em minha vida, é idolatrado e ao mesmo tempo crucificado, não vou levar para mim o que ele fez na sua vida pessoal, não podemos julgar ninguém (quem somos nós para isso), julgo o que ele deixou de maravilhoso para nós em sua obra, sua magia, sua forma, seus anseios, seus sonhos e sua maneira verdadeira de ser, Cazuza foi isso, viveu intensamente.”
Único filho do casal Lucinha e João Araújo, Cazuza morreu na casa dos pais, em Ipanema, na manhã do dia em 7 de julho de 1990. Em 2004, sua vida virou filme pelas mãos da cineasta Sandra Werneck em parceria com Walter Carvalho, que o fez baseado no livro “Só as Mães São Felizes” (mais uma letra de música do artista em parceria com Frejat), escrito por sua mãe (em depoimento à jornalista Regina Echeverria) e lançado em 1997. No cinema, Cazuza foi interpretado pelo ator Daniel de Oliveira, uma unanimidade perante público e crítica na pele do artista.
Nasce a Sociedade Viva Cazuza
Três meses após a sua morte, nascia a Sociedade Viva Cazuza, fundada por Lucinha Araújo, que até hoje preside a ONG, que também completa em 2010 duas décadas de atividades. Atualmente, a Viva Cazuza mantém dois importantes projetos: uma “Casa de Apoio” que abriga 20 crianças e jovens soropositivos (de 4 a 17 anos), a maioria deles órfãos e um “Projeto de Adesão ao Tratamento da Aids”, em parceria com o Hospital da Lagoa e com o Hospital do IASERJ, que contempla hoje 140 pacientes de todas as idades, que se encontram em tratamento na rede pública de saúde.
Apesar de ter perdido um filho, Lucinha Araújo “adotou” os filhos de coração. Pois é como mãe que ela trata as crianças e jovens abrigados na ONG. Desde o acompanhamento das atividades escolares à permissão para fazer programas com amigos ou convidá-los para dormir na casa, tudo passa pelo seu olhar cuidadoso. E é neste momento que se percebe uma grande vitória dos portadores do HIV: a diminuição do preconceito. Segundo Lucinha, as escolas, professores e amigos conhecem a situação de saúde das crianças que vivem ali e, nem por isso, elas deixam de levar uma vida normal como qualquer outro colega da mesma faixa etária. Não são rechaçadas pelos amigos, nem pelos pais dos amigos.
Além do afeto familiar que elas recebem no projeto, todos têm apoio profissional tanto na área pedagógica (reforço nos estudos, acompanhamento dos deveres de casa e orientação), como na área médica. A casa é equipada com uma enfermaria com todos os recursos médicos necessários inclusive para internação, a não ser para casos mais graves de cirurgia e UTI. Uma técnica de enfermagem disponível 24 horas faz o atendimento individual da garotada, acompanhando semanalmente as taxas virais e a evolução da Aids, bem como o surgimento das chamadas doenças oportunistas.
De outro lado, a Sociedade Viva Cazuza também atende adultos e crianças de todas as idades com dificuldade de adesão ao tratamento da Aids. Profissionais de saúde, contratados do projeto, investigam a vida dos pacientes para descobrir a causa da falha do tratamento e corrigi-la, através de orientação médica e suporte emocional. O sucesso do projeto é total.
Sociedade Viva Cazuza completa 20 anos em meio a dificuldades *
Apesar do histórico positivo de 20 anos de atuação, a ONG, sustentada com os direitos autorais das músicas de Cazuza (que respondem por uma renda cada vez menor) e pequenas doações, passa por dificuldades financeiras para arcar com o custo fixo mensal, formado em grande parte pela folha de pagamento dos funcionários e encargos trabalhistas.
Além disso, por motivos desconhecidos, o Ministério da Saúde tem deixado de fornecer a quantidade necessária de remédios retrovirais para o combate da doença desde o início do ano. Segundo Christina Moreira, coordenadora da Viva Cazuza, o Ministério da Saúde conta hoje com uma verba menor para distribuição de remédios do que há cinco anos. “Acredito que isso se deve ao aumento da perspectiva de vida dos portadores do vírus HIV e à ausência de matérias na imprensa sobre a doença. Atualmente, as pessoas não morrem mais de Aids, mas, ainda assim, a doença merece muita atenção, pois não tem cura. No mundo todo, morrem cerca de três milhões de pessoas por ano de Aids e cinco milhões são contaminadas anualmente”, alerta.
Acervo do cantor
Muita gente não sabe, mas é num espaço da Sociedade Viva Cazuza que sua mãe, Lucinha Araújo, mantém viva a memória e obra do cantor. Todo o acervo de Cazuza se encontra lá na sede da ONG e à disposição do público e fãs. São inúmeras fotos enquadradas que tomam quase todas as paredes e ilustram a carreira do artista, tanto ao lado dos companheiros do Barão, como na fase solo.
Há também roupas de show (como o terno branco de panamá do último show), inúmeras bandanas – marca registrada de Cazuza nos palcos -, prêmios, discos em vinil, livros, CDs, DVDs e muitos objetos pessoais, alguns de quando ele ainda era bebê, como a roupa do batizado.
Endereço: Rua Pinheiro Machado, 39, Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ, CEP 22231-090 – Brasil
Tel: (21) 2551 – 5368 /Fax: (21) 2553 – 0444
FONTE: Assessoria de imprensa Sociedade Viva Cazuza – Adriana Lacerda (Factual Comunicação)
Elsa Maria Cirra ou "Kika" é jornalista fez editoria em saúde, assessoria de imprensa, rádio, jornal e revista. É apaixonada por felinos principalmente GATOS. Ama blues, jazz, rock, mpb (Caetano, Cazuza, Marisa Monte), cinema (Fellini, Almodóvar) e literatura (sempre e eternamente Clarice Lispector). Vícios?!? Chocolate e coca-cola, (principalmente de madrugada quando está escrevendo).
CONFIRA TODOS OS POSTS DO AUTOR







Pingback: Tweets that mention CAZUZA…DAQUI ATÉ A ETERNIDADE « Blog da Comunicação -- Topsy.com