POR Henrique Oliveira 1 ANO ATRÁS
COMPARTILHE

por Henrique Oliveira

esportes@blogdacomunicacao.com.br

Uma das principais noções que um profissional que lida com esportes coletivos aprende (ou, pelo menos, deveria aprender) é que a diversidade sempre vai existir. Numa atividade em que se entrecruzam diversos pontos de vista, diversas atuações (condutas) e diferentes sentimentos, sempre vai haver conflitos, desencontros. No futebol não é diferente. Nunca estaremos completamente certos ou errados em nossas interpretações e, justamente por isso, sempre seremos questionados por elas.

É assim que é. Um árbitro sempre está errado. Um técnico sempre se equivocará. Um jogador sempre será falho…

Essa imprecisão do futebol, essa imprevisibilidade, é que faz com ele seja tão mágico e mobilize tantas pessoas. Todo mundo sabe que dentro de um campo as coisas entram no terreno do espetáculo e, como em toda boa encenação, os atores tentam desempenhar da maneira mais convincente o seu papel. Um jogador, em nome de uma mísera falta a ser cobrada na intermediária do campo, é capaz de se contorcer  como se tivesse levado um golpe fatal. Um árbitro às vezes pode parecer mais com um xerife,  daqueles bem trogloditas. E o técnico, em muitos casos, se assemelha a um general: aquele detentor da última palavra antes do combate. O que está mais à frente dos soldados; o que define a estratégia.

O futebol, como todo esporte, é um grande jogo de cenas, onde imperam interpretações e subjetividades. E tem que ser mesmo. Porque o que faz com que ele exista é justamente aquele público que se hipnotiza na frente da TV e se abarrota todas as semanas nos estádios. O espetáculo do futebol tem sim público cativo e, só isso, já é motivo para que o script continue sendo seguido.

O problema é quando uma boa atuação se transforma em verdadeiro papelão: ontem, em salvador, no jogo entre Vitória e Goiás, a atuação principal foi ofuscada pelo descontrole de alguns. Depois de um bom jogo – mordido, cheio de lances disputados, e com quatros gols – o técnico Emerson Leão resolveu que seu papel não havia acabado. E, como uma fera, chamou os holofotes para si e partiu desembestado em direção ao juiz. Interpelado, neste caminho, por um repórter, o técnico e ex-goleiro criou uma confusão inacreditável. Vejam:

Imagem de Amostra do You Tube

Não dá para conceber, caros leitores, que profissionais do futebol, experientes em suas funções, deixem seus personagens (cheios de raiva, excitação, etc.) assumirem o controle sobre outras situações. As cenas do técnico Emerson Leão, do jogador Rafael Moura e de outros protagonistas deste “papelão”, hoje vistas em todo o país, mostram que muita gente do futebol  gosta de ostentar papel da violência e do desequilíbrio em muitas outras esferas.

Talvez por isso estejamos às voltas com tantos fatos violentos envolvendo o mundo da bola. Talvez esteja faltando lembrar que um papel imprescindível á humanidade nunca deveria ser esquecido: da tolerância…

** O jogo entre Vitória e Goiás terminou em dois a dois. E toda a confusão, foi gerada por uma falta não marcada pelo juiz…

TAGS: , , , , ,

2
COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Henrique Oliveira
Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!
CONFIRA TODOS OS POSTS DO AUTOR
  • http://woblinks.net Renato Tarantelli

    Sem tomar partido, acho que cada um deveria se por em seu lugar. Jogadores jogarem futebol, técnico treinar os jogadores e a imprensa… bem… exibir notícia, evitar escândalo e ser somente imprensa, não sensacionalista. Sei que isso é muito difícil, mas torço por isso.

  • http://www.blogdacomunicacao.com.br Guilherme Freitas

    Henrique, são cenas lamentáveis do nosso futebol. Leão é isso ai mesmo, um sujeito arrogante e que não aceita ser contrariado. Ele errou ao meter o dedo na cara do repórter. Porém, o repórter não devia ter jogado o microfone na cara do técnico. Por muito pouco não assistimos a um quebra-pau em campo. Espero todos os envolvidos sejam punidos, com jogos e por que não, com multas, para pesar no bolso.

    PS: Agora uma piadinha pra descontrair. Rafael Moura fez jus ao apelido de He-man, rs.

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?