Desde “Central do Brasil” produções nacionais melhoram sua visibilidade com o público e conquistaram prêmios internacionais
por Guilherme Freitas
guilherme@blogdacomunicacao.com.br
Padilha recebe o Urso de Ouro de Berlim por “Tropa de Elite”
Crédito: Associated Press
Quando “Central do Brasil”, de Walter Salles, estreou nas telas em 1997, o cinema brasileiro iniciou uma grande revolução. Depois de fracas produções e a era da pornochanchada nos anos 80, os filmes nacionais caíram em descrédito com o público. A estréia de “Cartola Joaquina: Rainha do Brasil”, de Carla Camurati, em 1995, começou aos poucos a mudar esse quadro. Com um grande elenco, o filme atraiu muitos espectadores. A seguir vieram “O Quatrilho”, de Fábio Barreto, e “O Que é Isso Companheiro?”, de Bruno Barreto. Ambos concorreram ao Oscar de melhor filme estrangeiro, respectivamente em 1996 e 1997.
Mas foi mesmo “Central do Brasil” quem mudou tudo. A trama, que conta à história de uma escrevente na estação e que decidi ajudar um menino órfão, conquistou a crítica internacional e levou um dos prêmios mais importantes do cinema mundial, o Urso de Ouro de Berlim. Após o feito, o filme de Salles chegou a Hollywood e concorreu a dois Oscars. Além de revelar o talentoso Vinícius de Oliveira (o menino do filme, que era engraxate na estação da Central do Brasil) e consagrar Fernanda Montenegro (indicada ao Oscar de melhor atriz), a produção foi vista com bons olhos pelo público, que voltou a assistir filmes nacionais nos cinemas.
Depois de “Central”, outros filmes foram lançados, como “O Auto da Comparecida” (1999) e “Caramuru – A Invenção do Brasil” (2001), até o grande sucesso “Cidade de Deus”, considerado por muitos como um dos melhores filmes da história do cinema nacional. A produção de Fernando Meirelles, lançada em 2002, foi um sucesso internacional, arrematando dezenas de prêmios e concorrendo a quatro Oscars. “Cidade de Deus” aborda a história da comunidade do local (título do filme) e o mundo do tráfico de drogas. Outro destaque é que o filme conta com muitos garotos carentes da comunidade local e que depois participaram de mais trabalhos cinematográficos.
A seguir vieram “Carandiru” (2003), “2 Filhos de Francisco” (2005), “Se Eu Fosse Você” (2006) e “Meu Nome Não é Johnny” (2007). Mas em nível de premiações internacionais o cinema brasileiro só comemorou em 2008. Primeiro com o grande sucesso de 2007: “Tropa de elite”, que vazou na internet antes de sua exibição no cinema e teve pouco público nas salas. O filme que conta à história de um comandante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais), preste a se aposentar e procura de um substituto. A produção de José Padilha que aborda a violência policial, a corrupção dentro da corporação e os males causados pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro, venceu em março o Urso de Ouro de Berlim. “Tropa” conquistou fãs e convenceu o júri, mas também foi duramente criticado pela violência de algumas cenas. Mas não a o que negar, o trabalho produzido por Padilha é excelente.
A bola da vez agora é “Linha de Passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas, que conta à história de uma família pobre da periferia de São Paulo. A desigualdade social, as dificuldades de obter sucesso e o futebol, são o roteiro deste longa, que em maio ganhou um prêmio no Festival de Cannes, na categoria melhor atriz. Um prêmio inesperado para Sandra Corveloni, que interpreta uma mãe solteira, protagonista feminina na trama.
O cinema brasileiro nestes últimos 11 anos evoluiu. Muitos filmes mostram a verdadeira face da sociedade brasileira e não apelam para o estilo blockbusters que não acrescenta em nada (como a maioria dos longas americanos). Em outubro estreará outra grande produção “Última Parada – 174”, que é a história do traficante Sandro do Nascimento, responsável pelo seqüestro do ônibus em 1999, que parou o Rio de Janeiro. Hoje o cinema brasileiro está sendo respeitado e visto com outros olhos pela crítica internacional. Parabéns a todos que através das telas mostram o Brasil para o mundo.
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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