POR Guilherme Freitas 8 MESES ATRÁS
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por Guilherme Freitas
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Recentemente várias reportagens abordaram um novo fenômeno: os brasileiros estão viajando com frequência para os Estados Unidos apenas para comprar e consumir produtos. Não vejo nenhum fenômeno. Isso não é uma novidade, há anos brasileiros atravessam a América em busca de preços e ofertas mais acessíveis. Com a queda do dólar e o aumento do poder de compra da população, mais e mais brazucas vão a Terra do Tio Sam encher as malas com roupas de grife, decoração para a casa e eletrônicos. E eles estão certos em fazer isso? Na minha concepção sim.

Li muitos comentários críticos a esta atitude porque ao invés de consumir internamente e aquecer a economia brasileira eles vão fazer isso em outro país. Apenas para efeito de comparação a versão mais simples do Ipad no Brasil sai pela bagatela de R$ 1.649. Em Nova York, na loja da Apple você consegue um igualzinho por R$ 864. Viram a diferença? Outra comparação. Uma camisa de grife como Lacoste, por exemplo, sai no Brasil na casa dos R$ 190. Nos “States” gira na faixa dos R$ 85. Isso sem falar de outras coisas como automóveis. Pelo preço de um popular brasileiro você sai da concessionária americana com um carro de luxo.

A Macys, uma meca do consumo em Nova York – Crédito: Reprodução

Não vejo nenhum pecado nesta atitude desses “mochileiros do consumo”. A culpa dessa fuga para o exterior são dos juros altíssimos e dos infinitos impostos que somos obrigados a pagar por produtos em sua maioria “made in China”. Juro que não consigo para entender essa política econômica brasileira. Gastamos o dobro do que os americanos para consumir produtos iguais. Isso que um cidadão americano (que tem um salário mínimo maior que o nosso) gasta muito menos de sua renda para consumir um produto do que o cidadão brasileiro. Ou seja, gastamos mais e ganhamos menos. E depois reclamam que o brasileiro vai gastar seu dinheiro em outro país…

Eu mesmo já passei por esta experiência. Ano passado durante meu estágio na ONU (Organização das Nações Unidas) passei um mês em Nova York. A tentação de gastar dinheiro naquela cidade é enorme. Tudo é muito mais em conta e vale à pena tirar as verdinhas da carteira. Como tive que arcar com minha viagem (pagar a passagem aérea, albergue, alimentação, passeios, lazer, etc) sobrou pouco para nas compras. Mas mesmo assim deu para consumir um pouquinho. Mas não tenho nenhum receio em dizer que quando tiver dinheiro sobrando vou consumir nos States também.

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Guilherme Freitas
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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  • http://nuvendigital.com/ Fábio

    Gostei do artigo, concordo com a parte que afirma que os brasileiros sempre compraram nos EUA. Mas acho que o ponto agora é o aumento na quantidade de dinheiro gasto lá fora. Os impostos são proteccionistas é claro. nos EUA os produtos também vem da china, mas eles são desenvolvidos nos EUA. desta forma uma parte do dinheiro gasto volta ao país. o brasil não tem essa mesma estrutura e para proteger a industria local que não investe em propriedade intelectual, simplesmente aumenta os impostos. tudo de bom!!!

  • http://www.comentandoaoacaso.blogspot.com Victor Oliveira

    E a Dilma falando que a soluçào para a crise é nosso mercado interno. Não quer dar aumento para servidores, mete a mão nos impostos… ai o caminho é buscar fora mesmo, torrar o dinheiro em outros países. Brasil tem jeito mais não, tá difícil…

  • http://www.oluapmot.com.br Radio Motorola

    Segundo levantamento do Departamento de Comércio dos EUA, os gastos de brasileiros nos EUA mais que duplicaram desde 2003. O crescimento de consumo no país exterior atingiu 250%.

  • http://www.oluapmot.com.br Radio Motorola

    No período, o brasileiro passou de 7º turista que mais gasta no país para 3º, ultrapassando alemães, franceses, sul-coreanos e australianos. O ranking não inclui mexicanos e canadenses (vizinhos de fronteira).

  • Celia Regina Freitas

    Conheço várias pessoas que também vão às compras nos States uma vez ao ano. Elas gastaram muito menos do que aqui e com produtos de qualidade. Nosso problema são os altos impostos que são cobrados nas mercadorias que adquirimos. O governo federal precisa com urgência reavaliar a carga tributária brasileira, que há anos é jogada de um presidente para outro sem nenhum resultado final.
    Bjs
    Celia Regina

    • Toni Sciarretta

      Olá Celia,
      Sou jornalista e estou fazendo uma matéria sobre compras no exterior. O que trazer, como comprar, tomar cuidado, qualidade de produtos lá e aqui, sem falar no preço. Queria falar com pessoas que tenham deixado de comprar no Brasil algumas coisas (roupas, utilidades domésticas, etc) para comprar lá. Vc poderia indicar seu caso e dar o contato de colegas? Obrigado
      Toni

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