por Henrique Beirangê
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Egoísmo, orgulho, indiferença, desprezo e tantos outros vícios morais estão na raiz e no fomento dos baixos índice de educação no Brasil. Nietzsche chamaria a isso de “vontade de poder”, ou seja, o homem exercendo o clímax de sua potência, talvez, creio eu, seja apenas ignorância espiritual aliada a falta de fratenidade patriótica. Quem sabe? Muitos dos que tiveram a oportunidade de serem agentes transformadores desse quadro social, se deixaram enebriar pelo poder que seus cargos facultam, acabando por muitas vezes a agravarem a situação.
A ganância, a cobiça fizeram-nos esquecer a obrigação elementar de suas posições, agirem em acordo com o espírito de solidariedade que guia as nações ao progresso. Outros que de uma forma ou de outra tentaram edificar algo construtivo, muitas vezes foram levados pela torrente do primitivismo moral que ainda reina em nossas relações sociais. No Brasil, rico estuda na escola básica privada para preparar-se para a universidade pública e gratuita, pobre estuda na escola básica pública e gratuita e – quando consegue– ingressa no ensino superior privado.
Analisar o quadro como sendo o travamento de uma disputa de classe sociais, é reduzir a questão, muito embora seja necessária para mostrar a desenvoltura com que o preconceito caminha no Brasil. Ver no rico um algoz do frágil e desavisado pobre, é alimentar a idéia equivocada que virtudes são associações diretas com o fator renda, ou seja, esquecer que há tantas imperfeições morais vivendo em ambos os lados. Quem nunca teve a oportunidade de conhecer um abonado humilde e pobres orgulhosos? Precisamos nos esforçar em sair do raciocínio que enxerga a realidade através de bipolarismos.
O mau e o bom, o socialista e o capitalista e por aí vai. Somos individualidades extremamente complexas que não cabem em conceitos uniformes. Hoje encontramos pessoas que afirmam ser simpáticas a idéias de esquerda, e também estar em conformidade com programas, considerados tipicamente como de direita, como os das privatizações.
Enquanto a tolerância, o respeito não forem exercidos de forma consciente, prática que essas virtudes exigem, continuaremos a apontar dados estatísticos e lamentar a situação da educação no Brasil. Agir dessa forma é como o pesquisador de gabinete o faz, não exteriorizar o produto de seu conhecimento no meio onde vive. Mudemo-nos.
Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora com extensão em Jornalismo Econômico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz pós-graduação em "Brasil: Estado e Sociedade" pelo Instituto de Ciências Humanas da UFJF. Procura focar seus estudos na crítica da conduta política e econômica dos agentes públicos brasileiros.
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