Não me lembro da primeira vez em que ouvi falar de voto. Só sei que quando estava na 5ª ou 6ª série e uma professora interrompeu a aula para avisar que haveria votação para representante de sala, eu entendi o que iria acontecer, sem maiores problemas.
E a votação aconteceu.
Bagunça e risadas na sala porque tem o aluno que se autocandidata; tem aquele que pede para que alguém o indique e aquele (sempre aquele) que a classe inteira julga como o ideal para ser o representante, pois é o estudioso, o dedicado, o simpático, o amigo, o etc., o etc. e o etc..
Mas sabem como foi a votação?
“Cada um fala o nome, em voz alta, de seu preferido”.
Sim, a professora aponta com o giz para cada aluno, e estes gritam um nome e aquele preenche a lousa com “pausinhos”, até formar um, dois ou mais quadrados. Se você não faltou este dia, é obrigado a votar, não tem jeito!
Voltando ao ano de 2008, estamos a seis dias das eleições municipais. No dia 5 de outubro, todo eleitor deve exercer seu papel, querendo ou não, e comparecer às urnas para votar. O voto é secreto. Você não precisa “gritar o nome de seu preferido” para alguém ouvir e contabilizar o voto.
[parênteses: todos sabem que é possível justificar o voto, desde que o eleitor compareça a qualquer cartório eleitoral do país e diga o por quê da ausência]
Sou contra o voto obrigatório, pois se vivemos em uma democracia, é direito escolher se queremos ou não votar. Mas acredito que o voto é a única maneira de exercermos a cidadania que tanto se fala neste país. E, apesar de muitas vezes este termo parecer clichê, é só assim que podemos decidir quem governará o país, os estados e as cidades.
Quando se trata de eleição municipal, o descaso das pessoas em não querer votar parece ser maior, talvez pela falta de conhecimento sobre a função do prefeito e do vereador, talvez pela falta de seriedade de muitos candidatos, principalmente vereadores, ou mesmo pela não-importância que as eleições municipais representam na vida de alguém, porque muitos votam nas cidades em que nasceram, mas que há anos já não moram mais.
Bom, todos nós, gostando ou não de nos sentirmos obrigados a votar, teremos de cumprir este dever, pelo menos nesta próxima eleição. Confesso que não sei muito bem o que deve ser feito para que o tipo de votação mude no país, mas não é por isso que não devemos votar séria e conscientemente. Propostas coerentes e reais para o benefício da população são uma boa maneira de avaliar a seriedade de um candidato (o James falou sobre isso no post abaixo).
Pense que, votando em alguém sério, você poderá esperar, com mais confiança, tudo aquilo que o candidato prometeu e até mesmo uma discussão sobre o direito, e não o dever, de o cidadão votar. Espero que para todos nós o “obrigado” do título seja mais por agradecimento do que por obrigação.
Boa eleição!
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