por Guilherme Freitas
saude@blogdacomunicacao.com.br
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a gestação e o parto causam anualmente 536 mil mortes de mulheres. O número é assustador, dado o avanço da medicina atualmente e das diversas melhorias em hospitais ao redor do mundo. Mais assustador ainda é saber que pouco mais da metade dessas mortes (cerca de 270 mil) ocorre na África, o continente mais pobre do planeta. A maioria dos óbitos ocorre devido à precária falta de atendimento básico em hospitais.

- Mulher tenta se recuperar de parto em leito precário de hospital na Tanzânia – Crédito: Beatrice de Géa/New York Times
A Tanzânia é um dos piores lugares do mundo para dar a luz a uma criança. Segundo uma reportagem do New York Times, no país acontecem cerca de 13 mil mortes de mulheres por ano. A média não é a pior da África, mas é muito alta e se dá devido a escassez de médicos, enfermeiros, medicamentos, equipamentos, estradas, transportes e hospitais. O país é um dos mais pobres do mundo (ocupa a posição 152º no ranking mundial de IDH*) e é basicamente rural. Um hospital da pequena cidade rural de Berega tem apenas 120 leitos.
O governo da Tanzânia vem se esforçando para conseguir diminuir o número de mortes de mulheres logo após o parto. Investimentos estão sendo feitos na saúde local, como recrutamento de novos médicos e parteiras, construções de novas clínicas e escolas de enfermagem e moradias para a população rural. Houve queda no número da mortalidade materna nos últimos anos, mas a taxa ainda é alta. Porém, as pessoas são muito pobres na Tanzânia e vivem sem nenhum tipo de infra-estrutura.
As mulheres chegam aos hospitais em cima da hora e muitas vezes não conseguem se salvar. São em sua maioria jovens e saudáveis, mas não conseguem realizar o parto e acabam falecendo. As cinco principais causas de morte segundo a reportagem do NYT são: hemorragia, infecção, pressão sanguínea alta, partos prolongados e abortos malsucedidos. Próximo a cada hospital estão orfanatos, com muitas crianças que perderam as mães quando vieram ao mundo. Uma triste sina que pode ocorrer com elas futuramente se nada for feito para mudar esse terrível quadro.
* Ranking de IDH atualizado em 2008
Fonte: New York Times
*** Revisado por Ane Patrícia Flora
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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