POR Serg Smigg 2 ANOS ATRÁS
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por Serg Smigg
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Pode-se dizer que a humanidade é dividida em dois enormes grupos, cuja quantidade de seres que os compõe oscila de acordo com certas necessidades que se instalam em determinadas circunstâncias: o grupo dos que creem; o grupo dos que conspiram.

Há teorias de conspiração para tudo, desde a da Guerra no Espaço promovida pelos Estados Unidos nos anos 60, que teriam precisado mostrar ao mundo sua força preponderante perante o então forte império russo, até a ideia de que o vírus da AIDS nasceu da necessidade de maiores lucros da indústria farmacêutica mundial, que teria previsto a cura total do câncer, sua fonte inesgotável de renda. Tais teorias passam inapelavelmente pela ação de possíveis seres extraterrestres já infiltrados em nossa civilização para ou nos matar a todos e tomar nossas fontes de energias ou nos elevar a níveis imponderáveis de evolução científica e mental.

As teorias da vez atacam novamente a indústria farmacêutica. Segundo tais, a Roche triplicou suas vendas especificamente do remédio de combate direto ao vírus, cuja eficácia, aliás, também está sob suspeita. Desde que a mídia caiu em seu suposto golpe de publicidade, a empresa viu seus ganhos tomarem as alturas nos gráficos demonstrativos de desempenho. Os lucros em geral parecem ter aumentado em por volta de 10%.

Em nosso território, a ideia ganha ares de conspiração política e, como sempre, a Rede Globo tem seu nome envolvido. Segundo um dos mais renomados jornalistas brasileiros, com experiência e imagem profissional forte o bastante para impor seus conceitos aos leitores (e aqui também é possível se detectar certo perigo: a população precisa ter opinião própria e não se deixar levar por tudo o que lê e ouve), e também apresentador de programa de Televisão Paulo Henrique Amorin, as organizações plim-plim têm usado os poucos casos de ataque do vírus H1N1 para criar pânico desnecessário na população. Tudo isso com a única finalidade de mostrar a ineficácia do governo atual no combate a um simples vírus. E, por trás disso, a tentativa de eleger seu próprio candidato nas próximas eleições, como aconteceu na campanha Collor.

A bem da verdade, os números mostram que o pânico generalizado representa muito bem o dito popular tempestade em copo d’água. O H1N1 é menos letal que seu primo pobre já tão conhecido, que se manifesta anualmente nos invernos de qualquer país. Ambos não são, por si, fatais; apenas criam campo para instalação de outras doenças ao tornar o organismo humano mais fraco.

Conspirações à parte, é conveniente se precaver a fim de se dar asas a outro dito popular: melhor prevenir do que remediar. Siga todas as instruções de higiene e de comportamento: lave bem as mãos, cubra a boca ao tossir, descarte imediatamente lenços de papel em recipiente seguro, evite aglomerações e locais com fraca ventilação etc.

(Veja mais nos links http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=15335 e http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=15418)

Agora, uma questão lógica: em que momento as instruções acima são dispensáveis? Não são aplicáveis somente em fase de pandemia de vírus. Convém ser usadas a todo momento, mas sem a obrigatoriedade imposta por alarmes, alarmes produzidos por ação de marketing empresarial ou fundamentado em evidências. Aliás, deveriam ser parte de comportamento tão natural quanto exigem as regras da boa convivência cívica e social.

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COMENTÁRIOS
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Serg Smigg, é colunista e revisor do Blog da Comunicação.
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  • Guilherme Freitas

    Serg, sem dúvida a Globo está fazendo uma campanha pesada com a gripe suína. É terrorismo com a população e publicidade para o Tamiflu. E o pior é que a população só ve Rede Globo e vai ficar em pânico. Temos que nos prevenir, mas com cautela. O blog do Paulo Henrique Amorim é ótimo, sempre que dá passo por lá. Abraços.

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