POR Leandro Lopes 11 MESES ATRÁS
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Por Leandro Lopes
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Criança palestina chora em funeral de parentes na Faixa de Gaza após ataque israelense no início de 2009 – Crédito: Fady Adwan/Propaimages

Mortos e feridos. O Oriente Médio é a bomba atômica do mundo. A qualquer minuto, no próximo talvez, uma explosão vem acompanhada de corpos e dor; dor não só física, mas também espiritual. Explorar a tristeza de pessoas é como caminhar em ovos. É preciso tomar cuidado com o caminho escolhido. O confronto deixa marcas na carne e na sociedade; em formas de sangue e destruição. Mais uma luta sem nome e em nome de nada. O escritor é um contador de histórias. Ataca os detalhes e as especificidades de determinado acontecimento com a mesma precisão que um médico cirurgião ou um piloto de corridas tem em uma operação ou numa curva em alta velocidade.

José Saramago é um exímio piloto. Um cirurgião que já entrou pra história. Do confronto israelense, Saramago diz que: “Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoado por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós”. Nessa ótica o conflito passa a ter um nome. Vingança. Em nome da vingança mais mortes. Lutamos pela paz armados de guerra.

Se vis pacem para bellum”.

O conflito não exige vencedor ou perdedor. Exige trégua. Claro que tudo isso é uma visão eufemista. Este utópico autor sabe que o confronto é muito mais amplo, envolve outros jogos de interesse e muito dinheiro. Não custa sonhar, custa? “Viver a custa do Holocausto é abusivo” – Saramago completa seu pensamento e resume o confronto em uma palavra. Abusivo. É isso que os cirurgiões fazem. É assim que os pilotos conduzem as máquinas.

O abuso do Holocausto e o abuso da “resposta” trazem ao confronto – com o perdão do trocadilho – um número abusivo de mortes. A situação calamitosa, o medo e o terror das pessoas. Vítimas – essas sim – sem nome. Não há limites para a crueldade humana. Aprendemos essa lição dia após dia, guerra após guerra. Em nome da paz, é claro. E isso me conforta, ou supostamente devia confortar.

“Nós podemos comparar (a situação palestina) com o que aconteceu em Auschwitz.”.

Negar a insanidade da guerra é como negar a existência do Holocausto. Pessoas morreram por uma causa que a humanidade criou. Um motivo. Saramago expõe os motivos e condena. Perdoa quem sofreu, mas não perdoa quem faz sofrer. O caminho é mesmo esse. Um exímio escritor dedica seu talento aos pesares do conflito. Realmente a guerra envolve todas as instâncias da sociedade…

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Estudante de jornalismo, 21 anos de idade, filósofo por natureza e como bom ouvinte de reggae, um holofote de bons sentimentos e vibrações. Assíduo participante de discussões políticas e interessado em tudo que gera comunicação, defende que o jornalismo correto (ou próximo disso) é aquele baseado na máxima que diz: "O bom jornalista é feito de conhecimento e coração!" Constantemente buscando conhecimento e ininterruptamente baseado no coração ostenta com orgulho o título de brasileiro, jornalista e tricolor!
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