por Ana Lúcia Abrão *
Já faz quase uma semana e a discussão permanece
A 28ª Bienal de São Paulo, inaugurada no último domingo, 26 de outubro, recebeu oficialmente o nome de “em vivo contato”, mas ficou conhecida mesmo como a “Bienal do Vazio”. A novidade desta edição – que gerou o apelido – é que o segundo dos três andares disponíveis para as obras de arte ficou todo vazio. De acordo com os curadores da exposição, a intenção é alertar para a atual falta de dinheiro para organizá-la. Ou seja, uma espécie de protesto.
Também protestando, mas por motivos bem diferentes, cerca de 40 a 50 pessoas entraram no prédio no dia da inauguração e picharam todo o andar. O manifesto já era esperado pela organização da bienal, que nem assim conseguiu contê-la. Enquanto os pichadores agiam, foram aplaudidos por alguns dos visitantes.
Para o designer Paulo Cholla, protestos são válidos, mas pichação é crime e ao final, quem paga a conta é o contribuinte. “Não vejo problema no fato de a curadoria ter deixado o andar superior vazio como forma de protesto. Acho extremamente válido. Só não concordo com pessoas que entram, picham, sujam, batem em seguranças e quebram vidraças para fugir”. Paulo aproveita para ressaltar que pichação é diferente de grafite, e lembra da dupla de grafiteiros OsGêmeos, “que grafita pelo mundo inteiro e tem seu trabalho reconhecido por muitas pessoas”.
Já Michelle Araújo, assessora de imprensa, considera pichação “uma forma de arte, uma forma alternativa de se expressar“, e chegou a pensar que a ação fazia parte da programação da Bienal. “Mas daí seria acreditar demais na superação do pensamento conservador de alguns gestores das artes aqui no Brasil”, ela completa.
Nathália Ilovate, estudante de jornalismo, acredita que tenha sido tudo pensado previamente. Já que a idéia desta edição é propor uma reflexão sobre a própria Bienal, a arte contemporânea e a democratização da arte, “acho que um grupo de pichadores fazer um trabalho justamente no andar vazio de uma exposição que tem como intuito esse questionamento é complementar a ela”.
A segurança foi reforçada e as pichações já retiradas. Mas fica no ar a pergunta: arte ou vandalismo?
Para quem quiser conferir, a 28ª Bienal de São Paulo acontece no Parque do Ibirapuera até o dia 6 de dezembro, de terça a domingo, das 10h às 22h.
* Ana Lúcia Abrão é jornalista e colaboradora especial de “Cidades” do Blog da Comunicação.
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