por Guilherme Freitas
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Pegando embalo na enquete desta semana, gostaria de escrever sobre o controverso Coronel Nascimento, personagem principal de Tropa de Elite 2 e interpretado brilhantemente por Wagner Moura. No primeiro filme, Nascimento é capitão do Bope. Sobe o morro, mata e tortura bandido, treina dois “aspiras” para serem seus sucessores e sofre com problemas na vida pessoal. Na sequência ele torna-se coronel, afasta-se do Bope, assume um cargo público na Secretaria de Segurança do Rio, bate de frente com o sistema corrupto e continua sofrendo dramas na vida pessoal. Para alguns ele é um herói brasileiro. Para outros um grande vilão. Para mim ele não é nenhum dos dois. É um pobre coitado, um ser humano infeliz em sua vida pessoal e consegue se destacar na vida profissional. É uma mais um personagem do nosso cotidiano.
Não acho que Nascimento seja um herói. Um verdadeiro herói não deve torturar e nem matar seus inimigos. Mas não é isso que assistimos nas telas do cinema. Rambo e Jack Bauer são considerados paladinos da justiça, porém não medem esforços para derrotar o adversário. São exemplos que para ser um herói, é preciso ser machão, forte e cruel. Mas na minha opinião, um verdadeiro herói deve ser como Gandhi, que lutou pelos seus ideais pacificamente. Porém, lutar pacificamente é um risco. E Gandhi pagou com a vida. Mas Nascimento também não é um vilão. Ele é um policial competente, dedicado e honesto. Mantém seus ideais de justiça e não tolera corrupção. Enfrenta sem medo os corruptos de terno e gravata e os bandidos do morro.
Um cena curiosa em Tropa 2 é quando Nascimento chega a uma fina churrascaria após uma ação do Bope, que culminou na morte de um perigoso marginal. Ele é aplaudido de pé pelas pessoas e fica até sem graça. Isso sempre acontece na vida real. Enquanto a classe média e a elite vibram quando a polícia mata algum traficante ou expulsa moradores de áreas invadidas, os mais pobres reclamam do abuso e truculência dos oficiais. É como quando Nascimento surra uma autoridade política na porta da casa deste. Isso jamais vai acontecer. Em casa de “bacana” a polícia entra com cuidado e com mandato. Em casa de pobre entra arrebentando a porta e quebrando tudo. É assim que funciona, e assim vai continuar.
A corrupção policial é uma realidade e duvido muito que vai terminar. As milícias mostram muito bem como é fácil ser seduzido por dinheiro fácil. Mesmo com aumento de salário e valorização, vai continuar havendo corrupção, propinas e tráfico de armas para bandidos. É preciso investir na raiz do problema, levando educação e saúde para comunidades carentes, combatendo a entrada de drogas que vem do exterior e cobrando os políticos. Só assim a situação pode começar a mudar.
Enquanto os parlamentares são agraciados com mais de 60% de aumento salarial, o povo continua na dura realidade da violência e da desigualdade social. Se não ocorrerem mudanças sérias, Tropa de Elite poderá render mais continuações e Nascimento continuará sendo alvo de artigos e crônicas.
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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