por Guilherme Freitas
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Mito. O Dicionário Aurélio, explica muito bem essa palavra: “coisa inacreditável”. Nelson Rolihlahla Mandela encaixa-se perfeitamente neste quesito. Ex-presidente da África do Sul, Prêmio Nobel da Paz e ícone na luta contra o apartheid, Mandela tornou-se uma lenda viva para o mundo. Nascido em uma aldeia xhosa em Transkei, em 1918, ele migrou para Johanesburgo onde concluiu a faculdade de direito. Na mesma época começava a ganhar força o regime racista do apartheid, que pregava a separação entre negros e brancos no país. Mandela se interessou pela política e ingressou no CNA (Congresso Nacional Africano). Nascia ai o mito.
Em sua luta contra o regime racista, Mandela assumiu o papel de líder. Planejou protestos pacíficos e chegou até a defender a luta armada pela igualdade racial após o massacre de Sharpeville, quando a polícia massacrou estudantes negros. Madiba, como é chamado pelo povo, foi julgado e condenado por sabotagem e conspiração. Inicialmente era previsto que ele teria a pena máxima, ou seja, seria morto. Mas ela se converteu em prisão perpétua, na temida Ilha Robben. Mandela passou 27 anos atrás das grades e detalhes dessa trajetória na prisão são contados em detalhes na sua autobigrafia (veja mais no fim do texto).
Libertado em 1990 após pressão popular e pelo embargo econômico imposto pelas Nações Unidas e o mundo, Mandela começou a sua trajetória de unir racialmente o país. Em 1993 ele juntamente com o presidente que o libertou, Frederik de Klerk, ganhou o prêmio Nobel da Paz. No ano seguinte tornou-se o primeiro presidente negro eleito no país. Em seu governo lutou por uma sociedade multirracial a famosa “nação arco-íris”. Sua maior falha como presidente foi ter deixado o combate a Aids em segundo plano, já que a doença aumentou no país durante o seu governo. Hoje ele tem uma instituição que luta contra a doença e é venerado nos quatro quantos no planeta.
Aos 92 anos, o grande ícone na luta pela igualdade racial continua presente no cenário mundial. Mandela sempre apoiou a realização da Copa do Mundo e agora vai poder assistir de sua casa as partidas em gramados africanos. Devido a uma fatalidade, sua bisneta morreu em um acidente de carro horas antes do jogo de abertura da Copa, ele não pode ver com seus próprios olhos a bola rolar dentro do Soccer City, em Johanesburgo. Mesmo assim, aguardamos ele na final! Vida longa a Madiba!
Para ler: “Longo caminho para Liberdade”, autobiografia de Nelson Mandela escrito em 1994. Preço médio: R$ 20,00.
Para ouvir: “Free Nelson Mandela”, canção produzida por cantores de vários países pedindo a liberdade de Mandela nos anos 80.
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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