POR Kika Cirra 1 ANO ATRÁS
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por Kika Cirra
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br

A parceria firmada entre a Nokia[bb] e WWF-Brasil permitirá o mapeamento e a identificação das mudanças climáticas em curso na região do Alto Purus, no Acre, propondo assim alternativas de adaptação para enfrentar os impactos negativos para as populações locais. O projeto tem como objetivo a melhoria de vida das comunidades locais, compostas em sua grande maioria por pescadores e suas famílias.

O modo como os pescadores tem percebido as mudanças climáticas na região e quais as medidas de adaptação utilizadas para mitigar ou reduzir os impactos de alteração no clima, serão registrados pelo projeto em um vídeo que será divulgado no Brasil e no exterior. Todas as informações serão coletadas com base em metodologia da Rede WWF para o Projeto Testemunhas do Clima, que já foi aplicada em comunidade de pescadores no município de Santarém (PA).

A contribuição para a recuperação do conhecimento tradicional, além de informações técnico-científicas é mais um dos objetivos desse projeto. Uma metodologia participativa assegura o envolvimento dos pescadores em todos os processos do projeto piloto. De acordo com a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o projeto será importante para gerar informações sobre as mudanças climáticas na região. “A ideia é que possamos dar uma contribuição para reduzir a vulnerabilidade das populações locais aos impactos dessas mudanças, aumentando sua capacidade de adaptação. Os pescadores do Alto Purus se tornarão Testemunhas do Clima”, afirma.

Almir Luiz Narcizo, presidente da Nokia do Brasil declarou que a empresa orgulha-se de fazer parte desta iniciativa: ”A ação junto à população que vive às margens do rio Purus é mais um fruto da duradoura parceria global entre a Nokia e o WWF”.

Pescadores no Lago Santo Antônio – Crédito: WWF/Brasil

A Região
O rio Purus nasce no Peru, entra no Brasil pelo Acre[bb] e segue pelo estado do Amazonas, caracterizando-se por ser um dos afluentes mais importantes do rio Amazonas, sua bacia abrange 380 mil quilômetros quadrados, sendo que mais de 90% situa-se no Brasil. Na época da cheia, o Purus atinge outros 21.833 km² da várzea (planície inundada nas margens do rio). Suas águas brancas, são ricas em sedimentos provenientes dos Andes e estão entre as mais produtivas da Amazônia respondendo por aproximadamente 70% da produção pesqueira que abastece a capital do Acre, Rio Branco, e por 30% da produção pesqueira de Manaus, capital do Amazonas.

A pesca é considerada o principal meio de subsistência da população ribeirinha da Amazônia. Mais de 80% das famílias da região vivem dela. De acordo com levantamentos, existem ainda outros 37 mil pescadores que praticam a atividade em escala comercial na bacia amazônica. Antonio Oviedo, responsável pelo projeto no WWF-Brasil, considera importante fazer uma avaliação biológica dos recursos pesqueiros da área e apoiar a implementação dos acordos de pesca. “É necessário sistematizar o conhecimento local sobre a pesca e os ambientes da várzea, bem como compreender os padrões individuais e coletivos de uso dos recursos pesqueiros em escala comunitária e regional”, avalia.

O projeto Testemunhas do Clima Nokia/WWF-Brasil no Alto Purus conta com a participação da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Estado do Acre (Seaprof). A primeira edição (2008) aconteceu na comunidade de Igarapé do Costa, estado do Pará. Os vídeos produzidos podem ser vistos clicando aqui.

Fonte: WWF-Brasil/Bruno Taitson

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Kika Cirra
Elsa Maria Cirra ou "Kika" é jornalista fez editoria em saúde, assessoria de imprensa, rádio, jornal e revista. É apaixonada por felinos principalmente GATOS. Ama blues, jazz, rock, mpb (Caetano, Cazuza, Marisa Monte), cinema (Fellini, Almodóvar) e literatura (sempre e eternamente Clarice Lispector). Vícios?!? Chocolate e coca-cola, (principalmente de madrugada quando está escrevendo).
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  • Guilherme Freitas

    Sempre fico com um pé atrás quando grandes empresas aunciam que estão lutando pela Amazônia e causas ambientais. Nada contra a Nokia, mas não confio nessa política. Grandes corporações só visam no lucro e pouco ligam para o meio ambiente. Parece aquela coisa de querer ficar bem na fite. Posso estar errado, espero.

  • http://www.nepa.net.br roosevelt s. fernandes

    OS DOIS LADOS DE UMA MESMA VERDADE ?

    O título aparentemente confuso do artigo já mostra o conteúdo da discussão que iremos abordar; vamos tratar de meio ambiente e enfatizar situações onde as versões (supostamente) prós e contras acabam por influenciar o nível de conscientização ambiental da sociedade.
    Por exemplo, todos sabem a importância da Floresta Amazônica no contexto ambiental nacional e mundial. Entretanto, é do conhecimento de todos que no ano passado um processo de seca arrasou uma significativa região da Floresta Amazônica.
    Como consequência, como divulgado na Revista Americam Science, na região da seca, as árvores perderam o viço (ficaram menos verdes) e tiveram uma redução de suas copas (parte superior da árvore).
    De imediato despontaram artigos na mídia dando a Floresta Amazônica como vilã do meio ambiente, na medida em que estaria deixando de contribuir para a redução das Mudanças Climáticas (efeitos). As folhas caídas das árvores, carbono até então fixado nas folhas, voltaria a ser CO2 (gás carbônico), ou seja, agregando mais CO2 ao ambiente.
    Outro exemplo, neste caso relacionado à polêmica do efeito nocivo ao meio ambiente do uso de sacolas plásticas nos supermercados, observa-se, em relação a novas notícias divulgadas na mídia, que a estória é diferente do que inicialmente se estava supondo.
    Pesquisa divulgada pela Agência do Meio Ambiente do governo britânico (Jornal The Independent) declara que as sacolas de plástico podem não ser a vilã ecológica que se estava enfatizando.
    Pelo artigo o polietileno (plástico de alta densidade) usado na produção das sacolas, causa menos impacto ao meio ambiente do que as matérias primas utilizadas na produção das “ecobags” (sacolas ecológicas).
    O artigo – “Life Cycle Assessment of Supermarket Carrier Bags”, de Chris Edwards e Meyhoff Jonna Fry – tem-se que as sacolas de polietileno são cerca de duzentas vezes menos nocivas ao meio ambiente do que as sacolas de algodão, emitindo um terço de CO2 que aquele emitido pelas sacolas de papel.
    O estudo também informa que as sacolas de papel são usadas apenas uma vez, enquanto as de algodão são usadas cerca de cinqüenta vezes antes de descartadas, mas que estaria sendo revisado.

    Não resta dúvida que a utilização de sacolas plásticas causa problemas ambientais – geração de lixo, poluição nos mares, produto com base no petróleo – agravado pela cultura da não reutilização ou da fragilidade do material em relação à reutilização.
    Poderíamos citar outros exemplos ligados ao meio ambiente onde as informações são aparentemente conflitantes, mas que, na realidade, são verdades de uma verdade maior, ou seja, facetas adicionais da evolução do estudo de um problema, sem que esta evolução deva ser entendida como posições em conflito.
    O caso da Floresta Amazônica, até que o efeito da seca seja superado, terá um comportamento diferente daquele que a grande maioria da sociedade conhece. As sacolas de pano, se usadas por anos em seguidos, são melhores (do ponto de vista ambiental) que as sacolas de plástico; ou seja, dependendo da forma como se use, uma pode ser melhor que a outra.
    Porém – e ai está o perigo – a sociedade não tem o conhecimento pleno das condições em que despontam, na mídia, informações (supostamente) prós e contras um determinado problema ambiental e, nestes casos, acabam por desinteressar-se pelo assunto, pois não “percebe” (percepção ambiental individual) coerência entre as informações que recebe.

    Roosevelt S. Fernandes
    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

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