Em alguns Estados ex-governadores, viúvas e filhas recebem até R$ 24 mil de pensão vitalícia. Esse é o Brasil
por Guilherme Freitas
política@blogdacomunicacao.com.br
O Brasil é um país curioso. Tem uma economia que cresce a cada ano e ganha destaque no cenário internacional, tido como uma potência em ascensão. Porém, ao mesmo tempo, sofre de uma corrupção crônica e ainda preserva hábitos dos tempos de colônia. A bola da vez são as polêmicas pensões vitalícias para ex-governadores, que sugam dinheiro público de alguns Estados. Esses senhores recebem até R$ 24 mil mensais, independentemente do tempo de cargo. Humberto Bosaipo governou o Mato Grosso por 10 dias, durante uma viagem do titular, e recebe o benefício. Governador do Mato Grosso e depois do Mato Grosso do Sul, Pedro Pedrossian recebe duas pensões.
Mas não são só esses senhores beneficiados. Dezenas de viúvas e até filhas recebem a pensão em nome dos ex-governadores. Mas a farra do dinheiro público não termina por ai. Esta semana a imprensa divulgou que até a tetraneta do herói da Inconfidência Mineira, Tiradentes, recebe o benefício. Agora suas irmãs também exigem receber o dinheiro. Se a moda pegar, descendentes de figuras notáveis da nossa história como José Bonifácio e Zumbi dos Palmares vão pedir sua cota.
Enquanto um cidadão comum é obrigado a contribuir no INSS por 35 anos, um político pode se aposentar após governar, por no máximo, oito anos. O pior é que muitos deixam o governo, mas não a política. Os senadores José Sarney (PMDB-AP), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foram governadores de seus estados e hoje, além de receber o salário do Congresso (R$ 26 mil), complementam a renda com a pensão de governador! Está explicado o porquê de sempre o patrimônio de políticos crescer a cada ano.
No total são mais de R$ 30 milhões por ano sendo gasto para as pensões desses senhores. Enquanto isso a educação vai mal das pernas, a saúde esta sucateada e a violência assombra as grandes metrópoles. Não seria melhor investir estes R$ 30 milhões nessas áreas carentes? Como dizia a canção de Renato Russo, Que País é Esse?
Os nobres parlamentares estariam perdidos se isso ocorresse nos nossos vizinhos Argentina ou Chile, ou até no mundo árabe como Egito e Tunísia. O povo iria para rua protestar, bate panela e sair na mão com a polícia. Clamariam por uma revolução. O brasileiro pode ter todas as suas qualidades, como sua simpatia e persistência para superar a dificuldade. Porém, é mole demais para brigar pelos seus direitos e cobrar pela verdade. Acredito que a maioria nem está a par desse fato e já está pensando onde vai pular o Carnaval…
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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