POR Guilherme Freitas 3 ANOS ATRÁS
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O maior tenista do Brasil - Crédito: AFP

por Guilherme Freitas

guilherme@blogdacomunicacao.com.br

 

O esporte teve um domingo movimentado. Nas ruas do principado de Mônaco ocorreu um dos melhores Grandes Prêmios dos últimos anos, com uma vitória surpreendente de Lewis Hamilton. Longe dali os carros voaram em outra pista mitológica. No Indianapolis Motor Speedway aconteceu a 92ª edição das 500 milhas de Indianápolis, vencida pelo neozelandês Scott Dixon. Nos gramados brasileiros ocorreram jogos da terceira rodada do Brasileirão com destaque para a goleada do Cruzeiro sobre o Santos por 4 a 0. E a noite promete com o confronto entre Santo Antonio Spurs e LA Lakers, válido pela decisão da Conferência Oeste da NBA. Mas nenhum destes eventos se iguala a partida válida pelo Grand Slam de tênis de Roland Garros entre Gustavo Kuerten e Paul Henri-Mathieu. A última partida de Guga.

 

Última parada da turnê de despedida do brasileiro, Roland Garros recebeu Guga de braços abertos e ansiosa para rever em seu solo aquele que o fez mais feliz. Kuerten entrou em quadra sabendo que seria muito difícil bater o francês, 19º no ranking mundial. O brasileiro já havia dito antes que poderia jogar bem por apenas 50 minutos e tinha em mente vencer pelo menos um set. O triunfo não veio, porém Guga jogou bem, dentro de suas limitações. Mathieu venceu por 3 a 0, parciais de 6-3, 6-4, 6-2, mas sofreu em alguns lances, como nas famosas paralelas do brasileiro, o forte saque e as deixadinhas que levaram a torcida a loucura.

 

O jogo foi bom de assistir. Guga entrou em quadra vestido um modelo parecido com aquele espalhafatoso de 1997, quando venceu Roland Garros pela primeira vez. O brasileiro conseguiu acompanhar o ritmo do rival nos primeiros dois sets, marcando alguns pontos preciosos e quebrando o serviço de Mathieu em algumas oportunidades. Se faltava agilidade e reflexo para Guga, sobrava vontade e raça. Vendo que não conseguiria superar Mathieu, o brasileiro jogou mais solto no terceiro set, fazendo graça para a torcida e arrancando gargalhadas quando pegou sua raquete e colocou no pescoço do francês, dizendo que só venceria o jogo desta maneira.

 

Após a partida Guga saudou a torcida que o aplaudiu de pé. Emocionado, escondeu-se debaixo de uma toalha e chorou. Com os olhos marejados foi cumprimentado pelo presidente da Federação Francesa de Tênis, Christian Bîmes, e pelo seu último adversário, Paul Henri-Mathieu, que após o jogo disse que se juntaria a torcida e gritaria “Guga, Guga” se pudesse. Das mãos de Bîmes recebeu um belo troféu, que mostrava todas as camadas do solo de saibro da quadra central. Um prêmio especial ao tenista que discursou em francês e agradeceu a família e o Brasil. Depois de todas essas homenagens deixou a quadra principal pela última vez como jogador.

 

Gustavo Kuerten é um fenômeno, assim como Daiane dos Santos, Adhemar Ferreira da Silva, Gustavo Borges e muitos outros, que nascem do nada, em um país que apenas enxerga o futebol e ignora os demais. O manézinho da ilha conquistou o mundo e será sempre lembrado pelo carisma, talento e alegria que todos passamos a admirar. Adeus Guga e muito obrigado por tudo. Ou como diriam os franceses Au revoir Mousier Guga et merci pour tout.

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Guilherme Freitas
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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  • James Freitas

    Ele tem uma história ímpar no tênis quando analisamos o Brasil…
    Guga levou o nome do nosso país à todos os cantos do mundo!!!!

    Não gosto da pessoa Gustavo Kuerten mas tenho que admitir que você fará falta!

    VALEU GUGA!

    Abs

  • Sandro Siqueira

    Guga… Saiba que você, assim como Airton Sena, são ídolos únicos e raros, que aparecem para elevar o nome do esporte e do Brasil, nos enxendo de orgulho. Pena que durou pouco… mas saiba que foi intensa a felicidade de vê-lo jogando e conquistando o topo do mundo. Parabéns.

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