POR Guilherme Freitas 1 ANO ATRÁS
COMPARTILHE

Os protestos populares no Egito podem mudar para sempre o já conturbado Oriente Médio, agora o mundo todo acompanha com atenção o desenrolar da história.

por Guilherme Freitas
internacional@blogdacomunicacao.com.br

Manifestante nas ruas do Cairo acena bandeira – Crédito: Associated Press

Começou na Tunísia, passou de forma tímida por Iemen e agora explodiu de vez no Egito. A onda de protestos contra as ditaduras no mundo árabe tomaram as primeiras páginas dos jornais do mundo todo. A chamada “Revolução de Jasmin” está levando milhões de egípcios as ruas para protestar contra o regime do ditador Hosni Mubarak, de 82 anos e há 30 anos no poder. Com mais de 10% da população desempregada, alta taxa de analfabetismo, corrupção desenfreada, riqueza nas mãos de pouco e inflação alimentar, a autocracia do Egito[bb] enfrenta o pior momento de sua história recente. Mubarak tenta diariamente manter-se no cargo, mas não adianta. O povo o quer fora.

Realmente o que estamos assistindo é algo inédito. Mubarak governa o Egito a mão de ferro. Não há liberdade política, pois o presidente controla o poder. Não há liberdade de expressão, pois leis proíbem a população de fazer qualquer contestação o ditador. E a imprensa não pode criticá-lo, já que jornalistas são punidos ou presos. Porém, desde 1981 existem eleições para o cargo de presidente. Nestes 30 anos foram cinco pleitos: o autocrata venceu todos. Na última eleição teve quase 90% dos votos, algo absurdo em uma democracia verdadeira. Antes dos protestos surgiam rumores que ele estaria pensando em deixar o cargo e passá-lo para o filho Gamal Mubarak.

Protestos no Cairo já duram uma semana – Crédito: Ben Curtis/AP

Em seu governo, Mubarak esmagou a oposição, calou os críticos e se perpetuou no poder, privilegiando uma pequena parcela dos egípcios. Ao mesmo tempo, a população crescia. Hoje são 80 milhões de habitantes, 2/3 deles menores de 30 anos e com poucas oportunidades de emprego e melhorar de vida. No campo internacional, o país reconheceu Israel e passou a ser o principal ator nas negociações de paz entre palestinos e israelenses. Tornou-se o principal aliado dos Estados Unidos na região e recebe anualmente mais de US$ 1 bilhão de ajuda. A demora do governo americano em apoiar os movimentos populares foi criticada, mas é fato que Washington não gosta de revoluções. Agora resta saber como os americanos e Israel vão se comportar.

O futuro do Egito é uma incógnita. Ninguém sabe o que vai acontecer caso Mubarak caia. Uma república democrática com liberdade de expressão, um novo estado radicalmente islâmico ou uma nova ditadura na mão de outro autocrata? Todas as opções são possíveis e podem ter consequências sérias na geopolítica mundial. De fato, o mundo árabe está mudando. O Egito não deve ser o último país a sofrer com essa onda popular e as ditaduras vizinhas já se preparam para evitar eventos do tipo. Os acontecimentos no Egito podem mudar para sempre o já conturbado Oriente Médio[bb] e o mundo todo acompanha com atenção o desfecho desta história.

TAGS: , , , , ,

2
COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Guilherme Freitas
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
CONFIRA TODOS OS POSTS DO AUTOR

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?