Toda grande tragédia comove e mobiliza muitas pessoas. Os seres humanos, por sua característica de sociabilidade, tendem a sofrer com as dores alheias e, em muitos casos, até chegam a largar toda uma vida de conforto em nome de um comprometimento solidário com o outro. No caso da tragédia do Haiti, pudemos, por exemplo, acompanhar pessoas estranhas diariamente se ajudando e lutando contra uma situação de total adversidade. Muitos haitianos e estrangeiros neste exato momento estão unidos num esforço para sanar ou, pelo menos, para atenuar, as desgraças que se abateram sobre um país que já era considerado “o mais pobre do ocidente”.
Os prédios desabados, as cidades destruídas e a aniquilação infraestrutural da capital Porto Príncipe está sendo enfrentada com coragem e, em grande parte dos casos, com esperança. Afinal contra as perdas de concreto sempre podemos fazer alguma coisa. Porém, no Haiti não é somente as perdas das poucas construções civis que preocupa. A capital Porto Príncipe, maior “emblema” da tragédia, está á beira de um caos social. Crimes se abarrotam por todos os cantos e o povo, imerso em tanto sofrimento, já está incontrolável em seus impulsos. A situação é cada vez mais delicada e as mais hediondas infrações são, no mesmo ritmo, mais comuns. Hoje, por exemplo, foi divulgado no Estadão que o Haiti está sofrendo com um crescente tráfico de escravos e crianças. Segundo a reportagem, “O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, afirmou nesta quinta-feira, 28, que existe tráfico de crianças e de órgãos em seu país após o terremoto do último dia 12. ‘Há tráfico de órgãos para crianças e outras pessoas, porque existe uma necessidade para todo tipo de órgãos’, afirmou Bellerive em uma entrevista à CNN publicada em sua edição digital. […] O primeiro-ministro haitiano não deu detalhes, mas quando a jornalista Christiane Amanpour perguntou se também há tráfico de crianças, Bellerive respondeu: ‘As informações que eu recebi dizem que sim’”.
Ou seja, muito mais grave do que as perdas materiais das construções e dos prédios de concreto é o convívio com essa proximidade do caos social. Quando uma sociedade começa a beirar esse estado de desordem e a força estatal simplesmente passa a não existir, é o pior das situações de confusão que devemos esperar. Seria algo próximo aos que os sociólogos chamaram de “anomia”…
O povo haitiano está perdido em meio a tantos descaminhos; o governo mendiga a ajuda internacional e o país se encontra completamente destroçado. Diante de tudo isso, cá do alto da nossa impotência, no resta perguntar: será ainda pode piorar? Esperamos, siceramente, que não…
Jornalista e blogueiro, atualmente Henrique é editor do site Incomode-se. Tendo experiência com leitura de peças fílmicas e culturais. É, também, autor de artigos publicados nas áreas de comunicação, política, Ciências Sociais Aplicadas. É cinéfilo convicto! Na literatura interessa-se por grandes obras da literatura mundial, indo desde Machado de Assis até Falkner! No debate procura o que foge do consenso. É intensamente instigado pela iquietude do diálogo a pelas portas abertas das novas idéias. Por isso, está, também, sempre aberto a novas parcerias e debates!
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