por Guilherme Freitas
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A reeleição significa “ação ou efeito de reeleger a mesma pessoa ou coisa”. Na maioria dos governos democráticos espalhados pelo mundo ela só pode ocorrer uma vez para o cargo de presidente. Em alguns países ela é ilimitada. No início deste mês o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, tentou mudar a constituição para poder se reeleger. Sua atitude não foi perdoada pela elite hondurenha e os militares entraram em ação. Resultado: Zelaya foi deposto e um golpe militar foi decretado em Honduras.
Outro país da América Central pode enfrentar o mesmo problema. É a Nicarágua, governada por Daniel Ortega, que não pode se reeleger em 2011. Aliado político de Hugo Chavez, Ortega quer fazer como o venezuelano e alterar a carta de seu país. Sua ideia não é bem vista por mais de 60% da população e ele já pensou em transformar o governo em um parlamento, para tornar-se primeiro ministro e continuar no cargo de líder máximo. Tudo para não sair do poder.
- O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya e o presidente do Brasil, Lula – Crédito: Divulgação
Nos últimos anos, mudanças na Constituição ocorreram em outros países do continente. Venezuela, Bolívia e Equador alteraram suas cartas para privilegiar seus atuais presidentes. Hugo Chávez é o exemplo mais famoso, ao dizer que “necessita ficar no cargo até 2021”. No Brasil cogitou-se um terceiro mandato para o presidente Lula e na Colômbia, Álvaro Uribe ainda luta para emplacar a possibilidade de ser eleito pela terceira vez consecutiva presidente.
Os latino-americanos visam ser um dia como os Estados Unidos, talvez o país mais democrático do mundo. Na América Latina tudo ainda é muito recente. Os países tornaram-se independentes apenas no século XIX e passaram períodos de suas histórias mergulhados em ditaduras militares, apoiadas pelo governo americano durante a Guerra Fria. Hoje o continente deu uma guinada a esquerda e passou a ter uma cara populista.
Creio que isso explica o fato do Brasil e dos demais países latino-americanos estarem na situação em que estão, com denúncias de corrupção e sede de poder de sem fim de seus presidentes. Enquanto os políticos usarem a reeleição como um instrumento de perpetuação no poder e não como uma ferramenta de democracia para a população, escândalos como os do Senado Federal nunca vão terminar.
Nasceu em São Paulo, no dia 5 de fevereiro de 1986, é jornalista formado pela UniFIAMFAAM, pós-graduado em Globalização e Cultura pela FESPSP e vegetariano desde os quatro anos. Trabalhou para as Nações Unidas em Nova York, é correspondente de imprensa da FINA (Federação Internacional de Natação) no Brasil e jornalista sênior na revista Swim Channel.
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