POR Leandro Pereira 3 ANOS ATRÁS
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por Leandro Alves
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Eu gosto de música. É um gostar inexplicável, um ardor acrescido de uma doçura. Ouço canções quando vou para a cama, quando me levando para minha caminhada matinal. Elas me fazem viajar por dimensões incríveis. Algumas me tocam como um abraço de amigo, sinto sobre mim um olhar que penetra, ama, conhece, partilha e compreende. Já outras me fazem levitar, assim como um beijo de um amor impossível numa tarde nublada. Aliás, adoro tardes nubladas! Desde bem pequeno. Hoje desejo escrever sobre a canção da minha vida, e como e porque ela se tornou tão marcante e especial. Sim, o texto de hoje é para as mulheres. A canção da minha vida é sobre a alma feminina, chama-se “Lágrimas de uma mulher” e foi composta por Guilherme Arantes. Ela nasceu nos anos 1990 e está no álbum “Castelos” pela Sony Music. Guilherme conheceu uma linda mulher aqui em Minas Gerais, e com uma vida muito sofrida. Isso deixou o poeta inquieto. Essa combinação de beleza com amargura o deixou pensativo e se perguntando o porquê de toda mulher ter um “dramalhão” para contar. O que está por trás de lágrima de uma mulher? Como desvendar esse mistério? Assim nasceu a canção da minha vida, a poesia mais terna e calma que meus olhos já leram. A melodia é envolvente e serena, como um amor de verdade.

A canção passou a fazer parte da minha vida quando criança. Não me lembro qual a idade. Só me lembro que minha mãe e eu íamos para um consultório de psicologia de ônibus em BH, a tarde era nublada e lá por volta das cinco e meia, foi quando tocou a canção. Eu senti uma espécie de paz, alegria, felicidade mesmo. Na época a felicidade para mim era tão acessível quanto um gibi da turma da Mônica. Fiquei pensando no sentimento do motorista. Eu o amei naquele momento. Eu o senti um amigo. E olha que mal nos olhamos. Olhei à tarde, as luzes dos refletores. Eu me deslumbrava com tudo aquilo e com aquele som. O céu era de uma beleza comovente. Quando cheguei ao consultório, na sala de espera (a secretária, que saudade! Shirlei. Ouvimos tanta coisa juntos.) Uma mulher, igualmente linda, de cabelos negros, pele branca, olhos castanhos, alta e bem mais velha. Logo a música ficou associada a ela que passou a ser musa da minha meninice. Só me recordo de um “boa tarde”. Fiquei pensando nela, em quem era, qual era o nome, onde estudava e, sobre tudo, se ela chorava e por qual mistério. Nunca mais nos vimos. Ela, a companheira das minhas fantasias, mas a canção ficou e aquela criança está no colo de um rapaz de vinte e cinco anos lhe fazendo transbordar de saudade. Claro, ensinando muita coisa também. Foi assim que passei a amar as mulheres, nasceu-me o desejo de conhecê-las, de participar do seu mundo, de cuidar delas.

Não creio que apenas as mulheres tenham um “dramalhão” para contar. O que vejo na mulher é um ser inteligente emocionalmente e capaz de externar emoções que muitos de nós não daríamos conta. Chorar em público, gritar de alegria, falar de amor para amigos, ser frágil, se assumir um ser falível e imperfeito; ao mesmo tempo saber-se bela, forte, capaz de atrair, de conquistar sendo conquistada. Elas nos escolhem, mas somos nós que flertamos, telefonamos, nos fazemos cavalheiros ao seu inteiro dispor. Ainda não descobri o mistério da lágrima de uma mulher. O que desejo é que você, leitora, tenha um dia feliz e repleto de paz incondicional. Feliz dia da mulher! Dedico estas palavras à minha mãe Dorotea Alves Pereira, minha amada companheira de viagem.

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COMENTÁRIOS
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Leandro Pereira é escritor, nascido em Belo Horizonte. Escreve sobre cultura no Blog da Comunicação.
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  • Guilherme Freitas

    Ah as mulheres, o que seriam de nós homens sem elas…acho injusto elas terem apenas um dia no calendário em sua homenagem. Elas merecem muito mais! Desejo a todas elas muitas alegrias e felicidades!

    Guilherme Arantes também é um grande compositor e a música e a melodia são bonitas. Abraços.

  • mary

    Que direi eu,mulher,diante de tamanha sensibilidade?
    Eis um homem, com alma de mulher!
    Voltei no tempo e me ví nos teus sonhos.Ou seriam meus os teus sonhos,naquela tarde em que até o sol se escondeu,solidário com minha tristeza?

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?