DIA MUNDIAL ANTIVIVISSECÇÃO É MARCADO POR PROTESTO EM SÃO PAULO
por Kika Cirra
meioambiente@blogdacomunicacao.com.br
No último domingo (25) cerca de 150 ativistas se reuniram em São Paulo em manifestação pelo Dia Mundial Antivivissecção. O evento,organizado pelo grupo Consciência Veg teve apoio de várias ONGs, entre elas: Veddas, Holocausto Animal, Anda, Ativeg, Instituto Nina Rosa, entre outras. Os manifestantes deram um exemplo de ativismo e união ao juntarem forças e vozes pela mesma causa.
Gaiolas com ativistas simulando o sofrimento passado pelos animais usados como cobaias em laboratórios foram distribuídas nas calçadas da Avenida Paulista. Também foram distribuídos panfletos entre os transeuntes que se mostravam interessados em entender a razão da manifestação.
O coordenador geral do grupo Holocausto Animal, Fábio Piva, adverte que o problema já começa com o termo “vivissecção”, que a maioria das pessoas desconhece e esclarece: “A vivissecção é o uso de animais vivos em laboratórios para criação, pesquisa, formulação de medicamentos, testes em cosméticos e uma infinidade de ‘utilidades’ sequer imaginadas pelos consumidores, realidade ocultada por interesses econômicos”. Fábio destaca ainda a importância da transmissão da informação, ou seja: do que está por trás de uma marca de sabão em pó, ou de um simples frasco de lustra-móveis, ou de um perfume: “Tudo que você puder imaginar foi testado em um animal, da maneira mais absurda possível. Uma delas é o teste de irritabilidade feito em coelhos, o Draize (um método cruel pelo qual coelhos são imobilizados e substâncias são aplicadas em seus olhos). Uma empresa que lança uma marca de lustra-móveis não precisa usar um coelho para mostrar que o produto não é toxico, isso é uma crueldade sem tamanho, totalmente inútil e desnecessária”.
O uso de animais para fins didáticos, em experimentos de laboratórios e em testes industriais é cruel, pois os procedimentos são realizados sem anestesia, o que provoca reações profundamente dolorosas e traumatizantes. Os animais, indefesos, são tratados como objetos durante sua curta vida, submetidos a todo tipo de tortura sem nenhuma possibilidade de reação.
Christian Saboia, organizador do evento e coordenador do grupo Consciência, declarou que a vivissecção é absolutamente antiética além de sabidamente desnecessária: “O vivisseccionista, pelo hábito de estar em uma universidade, tende a defender essa prática como um pré-requisito para a ciência. No entanto, as indústrias e instituições que não utilizam mais animais continuam produzindo bons trabalhos e fazendo ciência de ponta”.
A bióloga e ativista independente Tamara Bauab, lembra que a vivissecção vem da época de Descartes, da tradição seiscentista, quando se imaginava que os animais não sentissem absolutamente nada, tão pouco percepção e sensibilidade. “Hoje em dia ainda praticamos isso, e não faz bem nenhum ao ser humano. Ninguém pensa em curar, este não é o propósito”. Tamara denomina a indústria farmacêutica de “indústria da doença”, e afirma que o ser humano torna-se dependente de medicamentos e totalmente irresponsável com a sua saúde. “Pode comer e viver de uma maneira totalmente errada, e a indústria vai dar uma pílula mágica. Eu não acredito nessa indústria farmacêutica e nem na medicina. O uso de animais não levou a nada. Não se descobriu a cura para as grandes doenças do ser humano”. Finaliza.
Já Mauricio Varallo, colaborador do Instituto Nina Rosa e coordenador do site Olhar Animal, destaca um fato que confirma a falácia científica da indústria que testa em animais, com isso relembra a polêmica do fármaco talidomida, que teve seu uso liberado a partir de testes em animais, nos quais “não causava mal nenhum”, mas que acabou vitimando uma geração de crianças que nasceram defeituosas, com graves problemas congênitos”.
Para Mauricio, a aprovação da Lei Arouca, (a qual deu respaldo à utilização de animais pela ciência), foi um retrocesso no Brasil e vai atrasar em anos a evolução dessa questão, uma vez que na Europa há uma série de avanços e inclusive já está proibido uso de animais pela indústria de cosméticos. “Eu vejo, por outro lado, que esse movimento crescente, como o que vemos aqui hoje, tende a esclarecer as pessoas. A gente vai ter que trabalhar muito com a informação, mostrar às pessoas não só os aspectos éticos, que são fundamentais para a defesa animal, mas também a falácia científica. As pessoas tomam a ciência como tomavam a religião, consideram as informações da ciência como dogma, e basta pesquisar um pouquinho para ver que isso é um engano, que há muito dinheiro, poder e erro por trás disso”, conclui.
O coordenador do grupo ativista Veddas,George Guimarães também é da opinião de que uma das maneiras de abolir a vivissecção é disseminando as informações entre as pessoas,oque pode ser feito por meio de campanhas e também pressão junto ao poder legislativo – uma vez que se trata de uma prática passível de proibição. George ressalta a facilidade das pessoas em absorverem a mensagem, uma vez que a maior parte delas,não são a favor dessa prática tão cruel e ultrapassada.
FONTE: Lilian Garrafa- ANDA (AGÊNCIA DE NOTÌCIAS DE DIREITOS ANIMAIS)
Elsa Maria Cirra ou "Kika" é jornalista fez editoria em saúde, assessoria de imprensa, rádio, jornal e revista. É apaixonada por felinos principalmente GATOS. Ama blues, jazz, rock, mpb (Caetano, Cazuza, Marisa Monte), cinema (Fellini, Almodóvar) e literatura (sempre e eternamente Clarice Lispector). Vícios?!? Chocolate e coca-cola, (principalmente de madrugada quando está escrevendo).
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