POR Priscilla Aloi 2 ANOS ATRÁS
COMPARTILHE

por Priscilla Aloi
educacao@blogdacomunicacao.com.br

Na entrevista com Diego Bergamini fica claro que os fatores externos como o ambiente e situações vividas, não devem influenciar a história de vida, se você der a volta por cima, é claro! Quantas pessoas você conhece, que tem de tudo e todas as condições favoráveis para estudar, trabalhar, mas não querem saber de nada. O que vale é a determinação e a coragem de atingir o objetivo e tornar real o sonho, mas isso dá trabalho. Diego é um exemplo de superação na área educacional. Confira a entrevista.

Blog da Comunicação: Diego como foi sua infância?
Diego Bergamini:
Eu nasci e fui criado em um bairro pobre de Curitiba chamado Cajuru. Filho de mãe solteira, quando mais menino, fui criado pela minha avó, já que minha mãe trabalhava o dia inteiro. Mais tarde, por volta dos sete anos, fui morar com a minha mãe e o meu padrasto (que considero como um pai para mim). Fiz o ensino fundamental em um colégio público chamado Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag e sempre me esforcei muito para tirar boas notas e ter um bom desempenho acadêmico. O motivo? Não sei dizer. Sempre fui inclinado a estudar e desde de menino gostava de coisas mais culturais. Assistia a programas como mundo de Beakman e gostava de ler o livro de história das civilizações. Mas sinceramente, salvo isso, eu não encontro nada de muito diferente na minha história de menino do suburbio em relação a outro: brincava na rua como qualquer um deles, jogava futebol, soltava pipa, namorava as mesmas meninas, enfim, tudo como qualquer piá da minha idade. Ademais, existe um fato de que me orgulho: o dia em que eu descobri um erro na mídia do falecido Banco Banestado. Quando menino, 13 anos, eu lembro de ter visto a seguinte propaganda: “Banestado, a confiança que você precisa”. Como eu tinha estudado preposição na escola, eu sabia que o verbo precisar demanda a preposição “de”. Tão logo, a propaganda deveria ser “Banestado, a confiança de que você precisa”. Lembro de ter informado ao canal CNT do erro de linguagem deles. A rede de TV demorou uns dois dias para confirmar o erro. Mas no final das contas, eu estava certo.

BGC: O que o levou a participar do Programa Bom Aluno?
Bergamini: O Bom Aluno veio até mim. Conforme eu havia relatado, eles enviaram uma carta para mim explicando superficialmente o programa e me convidando para um teste de seleção. Eu estava na quinta série e não estava nenhum um pouco aware do que era aquilo tudo e tão pouco minha mãe, a destinatária da carta, entendia exatamente o que era. Só sei que fui fazer os testes e passei. E assim entrei no projeto, sem saber exatamente o que era e menos ainda tendo a noção de como ele mudaria minha vida.

Diego Bergamini - Crédito: Arquivo Pessoal
Diego Bergamini – Crédito: Arquivo Pessoal

BGC: Que tipo de dificuldades você encontrou?
Bergamini: Pergunta difícil. São várias que eu poderia citar, mas cito duas estruturando-as por cunho. Financeiro: com certeza, esse foi o mais difícil. Quando estava por volta dos 14 anos, minha mãe se separou do meu padrasto (aquele que eu considero como pai) e nossa renda caiu absurdamente. A renda mensal dela era de aproximadamente R$300, 00 o que não dava para nos sustentarmos direito. Em paralelo, eu tinha acabado de entrar numa escola particular de primeira classe como bolsista. Aí foi um grande constraste: eu mal tinha dinheiro para o ônibus, possuía apenas um par de roupas para a semana inteira, enquanto os meus colegas passavam a tarde em shoppings e desfilando com suas incríveis roupas de surf. Realmente, suportar isso, tanto pela escassez de recurso financeiro quanto pelo fator psicológio, foi o mais difícil. Familiar: já disse que sou filho de mãe solteira. Apesar de todo o esforço dela para me dar uma criação, infelizmente a ausência de uma figura masculina faz muita falta na vida de qualquer criança. Mesmo tendo um padrasto maravilhoso que me ajudou muito, houve e sempre haverá essa sinapse em minha vida.

BGC: De onde vem essa força para superar todos esses obstáculos?
Bergamini:
Não tenho a menor idéia. Aqui vou plagiar uma idéia consagrada, contando uma passagem da minha vida. Quando criança, minha mãe e eu uma vez passamos em frente a Universidade Católica do Paraná e ela me disse: “meu filho, o sonho da mãe é que um dia você esteja estudando aqui”. Eu era menino, não sabia direito o que ela queria dizer, mas respondi:”fica tranquila, mãe. Eu vou conseguir”. Na verdade, eu “não consegui” pois para a minha alegria eu acabei indo estudar na universidade mais tradicional do Paraná: a UFPR. Contudo, cheguei lá na essência do que minha mãe queria. O motivo? não sabendo que era impossível, foi lá e fez. Acho que é um pouco disso. Eu nunca soube que isso era muito difícil de se fazer. Assim, fui lá e fiz. Enquanto me derem asas, vou fazer o que eu conseguir.

BGC: Como está a expectativa de ir para Milão?
Bergamini:
A ficha ainda não caiu direito, mas não vejo a hora de dar uma guinada na minha vida. Adoro, ou adorava, trabalhar na Kraft mas o tempo dela na minha vida passou. Sinto que devo fazer algo diferente e que hoje esse algo diferente certamente é fora da companhia e do meu país. Mas acredito que a ficha só vá cair mesmo na véspera da viagem, ou seja, por enquanto, as borboletas na barriga estão controladas.

BGC: Você já se considera um vencedor?
Bergamini:
Não. Mas entenda assim: não me considero um vencedor, porém tão pouco um perdedor. Acho que ainda estou no jogo, e o jogo está acontecendo. Tenho algumas vitórias e alguns fracassos, contudo tem muita água para rolar ainda. Para mim, a definição de vencedor ou não…deve vir em um estágio mais avançado da vida. Por agora, posso apenas afirmar que sou feliz como pessoa e os resultados que tenho até agora.

TAGS: , , , , ,

5
COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Priscilla Aloi
Priscilla Aloi, comunicadora. Atuo em vários segmentos da área. Acesse www.priscillaaloi.com e conheça um pouco do que faço!
CONFIRA TODOS OS POSTS DO AUTOR
  • http://tinotec.com.br/blog Laurentino Mello

    Excelente entrevista, Parabéns!

  • Guilherme Freitas

    A história do Diego é muito bacana, de superação e vontade de vencer na vida. Quando recebi um email falando sobre a história dele, decidi publicar algo no BGC e agora você nos brinda com essa bela entrevista. Parabéns, Priscilla.

  • max índio

    Olá meus parabéns Priscilla pela entrevista.
    gostaria te fazer contato com o Diego, sou profissional em Marketing.
    Um forte abraço!!!
    Max Índio

  • max índio

    seque meu contato:
    max-indio@hotmail.com

  • Diego Bergamini

    Olá, Max.

    Se quiser entrar em contato comigo, é só me escrever: diegobervox@yahoo.com.br

    Sds,

    Diego

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?