POR Serg Smigg 2 ANOS ATRÁS
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por Serg Smigg
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Percepção
Há peças publicitárias que, depois de desenhadas e redesenhadas, simuladas e ressimuladas e consumir tempo e dinheiro de anunciantes, sequer são lembradas depois de uma semana do término da campanha; outras, nascidas eureca introspectivo em um fim de expediente, permanecem como que tatuada no comportamento de uma sociedade. Há filmes que fazem sucesso incomum na região Sudeste, mas não passam de filmecos na Norte ou Nordeste. Entre o sucesso e insucesso, há mais que simples sorte ou talento ou faltas deles nos profissionais.

Fernando Pimentel de Souza, em seu artigo O Conhecimento Atual do Cérebro é ainda Estruturalista, capitula que “o cérebro… possui funções mentais superiores que definem as características básicas do homem. Por isso surgem muitas dificuldades na definição de suas estruturas e respectivas junções. Devido à natureza da maioria das descobertas das últimas décadas, o conhecimento atual da função cerebral está sob grande influência estruturalista”.

A compreensão do fenômeno da comunicação entre os seres, racionais ou não, está intimamente considerada na complexidade mencionada por F. Pimentel de Souza. A contemporaneidade está tão envolta nos aspectos comunicacionais, em especial humanos, que talvez não fosse possível a tecnologia atual ter chegado a tanto se a transmissão de conceitos e idéias não fosse a preocupação crucial desta mesma contemporaneidade. Desde que as funções interiores do cérebro humano passaram a sentir o mundo exterior como um universo explorável, o homem começou a capturar a significação dos elementos que compunham esse universo. Os elos entre as ideias caverna -> segurança-descanso-conforto, animais -> saciedade-perigo, noite -> medo-silêncio etc. foram se fortalecendo ao longo de numerosas repetições de situações nas quais tais ideias eram pressentidas.

Está-se falando acima de seres cujas estruturas cerebrais, arcaicas, estavam em início das que hoje se entende como complicada interligação de neurônios, axiônios e substâncias diversas. Com o desenvolvimento até o estágio atual, e ainda em evolução a contar por intrincadas pesquisas de estudiosos, esse órgão vital reconhece num átimo a esmagadora maioria dos objetos que constituem seu habitat. Reconhece consciente e inconscientemente.

Ao se observar a imagem ao lado, representante de um objeto físico feito de argamassa e metal, oito entre dez pessoas pensarão em praias, sol ardente, Rio de Janeiro que, por sua vez, as farão lembrar sensualidade, férias, descanso; um pensará em religião, beleza plástica etc.; a última, talvez em função de alguma experiência negativa próxima, fatalmente se lembrará de violência, balas perdidas, tráfico.

cristo

O que é
A maneira como o cérebro infere os conceitos referenciais a cada situação ou objeto que o consciente assimila é estudada pela Semiótica, palavra que vem do grego semeion, ou Semiologia.

 

Esta cena tem como cor principal o vermelho, símbolo da paixão de um casal. Porém, deve haver um equilíbrio, simbolizado pelo verde do trevo colocado justamente entre o casal. O balão amarelo lembra festa, alegria e prosperidade; o pássaro azul, harmonia e paz. Percebe-se um cone na frente do casal como símbolo de atenção, cuidado, pois também são necessárias renúncias em cada escolha da vida. Por fim, se todas estas características positivas forem atendidas, o casal é coroado com um final feliz. Veja neste link.

semiotica

A Semiótica toma também traços culturais de uma coletividade e os observa como signos nascidos no histórico dessa coletividade. Desta forma, é um tanto mais profunda que a Linguística, que se limita ao estudo de signos lingüísticos. Para Semiótica, objeto ou situação é analisável segundo os conceitos por ela estudados: artes plásticas, música, cinema, vestuário etc.

Origens
Os grandes filósofos gregos antigos já dispunham de pensamentos que podem ser tidos como semióticos ou semiológicos. Em O Mito da Caverna narrado, do livro VII da obra Republica, de Platão, é das metáforas mais significativas imaginadas pela filosofia. Repleta, portanto, de inserções semiológicas. Contudo, os trabalhos de Ferdinand de Saurrure e Charles. Sanders Peirce, já no início do séc. XX, deram ares de ciência ao estudo; posteriormente, Umberto Eco, expressivo estudioso italiano, procuraria aproximar a imaginação semiótica um pouco mais da compreensão sob aspectos dogmáticos.

Dia-a-dia
Este próprio texto é passível de averiguação segundo a Semiótica. Nele, há termos que levaram o autor a desenvolver a ideia central segundo o que imagina ser cultural em um espaço como essa. Nesta página, há símbolos cujo significado vai além, ou fica aquém, do que o designer esperava. Amanhã de manhã, muitos pães serão comprados e, nos pacotes, estará acomodada a sensação de dever cumprido ou de agradecimento aos santos pelo alimento. Nos museus e exposições, há uma longa lista de objetos que o senso comum descarta sem qualquer problema de consciência.

O conceito que discuto em minhas palestras corporativas de “comunicar-se é um ato simples, bastando apenas se ter a impressão de que a ideia foi minimamente compreendida; comunicar-se bem é quase impossível; comunicar-se totalmente, isto sim, é impossível” nunca esteve tão fundamentado.

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COMENTÁRIOS
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Serg Smigg, é colunista e revisor do Blog da Comunicação.
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  • http://bethccruz.blogspot.com/ Beth Cruz

    Meu primeiro contato com a semiótica, foi na faculdade quando li um livro de Roland Barthes, chamado “Aula”, na verdade esse livro é um discurso que Roland Barthes fez ao ingressar como professor de semiologia em uma universidade francesa. Desde de então fiquei apaixonada pelo assunto e sempre que posso releio o livro. Para quem não conhece, vale a leitura.

  • Guilherme Freitas

    Belo artigo Serg. Eu serei sincero, semiótica é um assunto que não gosto muito, mas é sempre bom a gente estudá-la e procurar entende-la. Gostei da parte do seu texto que fala do Mito da Caverna, do livro do Platão. Semestre passado na pós tive aula de filosofia e o professor passou esse livro pra gente ler. No começo não gostei, mas depois que li e entendi os argumentos de Platão e interessei mais sobre o tema. Abraços.

    • Marcos

      Acho que voçê está n caminho certo Guilherme pois entender é sempre o melhor caminho para gostar. Parabens!!!! malktoos9@ig.com.br

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