POR Fernanda Garcia 3 ANOS ATRÁS
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por Fernanda Pereira

fernanda@blogdacomunicacao.com.br

Por mais de uma vez a discussão sobre o diploma de Jornalismo já passou pelas páginas deste Blog. E hoje vai passar de novo!

Retomando a discussão para situar os mais desavisados é o seguinte, o Ministério da Educação (MEC) estuda autorizar profissionais que tenham fomação universitária em qualquer área a exercer a profissão de jornalista. O ministro da educação, Fernando Haddad, também quer discutir as diretrizes dos cursos oferecidos na área que passarão por uma supervisão, a exemplo do que ocorreu com Direito, Pedagogia e Medicina.

O Recurso Extraordinário RE/511961, que está em pauta no Supremo Tribunal Federal (STF), questiona a exigência do diploma de jornalismo como condição essencial para exercer a profissão. Se os ministros aprovarem o recurso, qualquer pessoa, em tese, mesmo as que têm apenas o ensino fundamental ou até analfabetos, poderão requerer o direito de se tornarem jornalistas.

Tentando deixar a paixão de lado e o fato de estar atualmente no 3° ano do curso de Jornalismo, que dura 4 anos, vou tentar fazer uma análise junto com você, leitor. Será que os estudantes de Jornalismo do país estão saindo das universidades prontos para o mercado? Será que os cursos universitários oferecidos pelo país afora estão dando conta de formar profissionais competentes, humanizados e conscientes de seu papel enquanto agente modificador e propagador da sociedade?

Para isso, vou tomar como base meu próprio exemplo, curso Jornalismo em uma Universidade pública, uma Federal, para ser mais exata. Nós não temos salas de aula, usamos salas emprestadas do curso de Letras. Não temos laboratórios de tecnologia. Não temos câmeras fotográficas, usamos as emprestadas do curso de Artes (o professor de fotografia também era emprestado). Dois dos nossos melhores doutores em jornalismo, foram transferidos para outra universidade( a pedido deles mesmos) sem que fossem “repostos”, outra pós-doutora que deveria ter começado a dar aulas em agosto, só começou agora pois estava em Barcelona, diz ela que fazendo pesquisa e um está afastado para concluir seu pós-doutorado (recebendo para estar afastado, que fique claro).

Por mais que falem e que digam que as particulares são boas, há a realidade do mercado. Diplomas de muitas Universidades particulares de fora do eixo Rio-São Paulo, sequer são analisados nas redações dos grandes veículos. Ainda existe sim o mito da Universidade Federal. Eu, enquanto acadêmica, sabia, desde o início, quando troquei minha vaga com bolsa do Prouni em uma particular pela convocação de segunda chamada na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) que enfrentaria dificuldades absurdas e que teria que correr atrás de tudo, desde as primeiras pautas até o recurso para rodar o jornal da turma. Só não imaginava que estaria entrando no caos.

Fomos prejudicados com tantas idas e vindas de professores, professores substitutos que ganham, pasmem, cerca de R$300,00 por mês para dar aulas e até professores “amigos da escola”, aqueles que davam aulas voluntariamente. E acabamos de sair de um protesto para interdição do reitor, acusado de falcatruas, episódio quase não noticiado pela grande imprensa, já que ao contrário da UNB em Brasília, Campo Grande não deve estar no mapa, a não ser quando se trata de febre aftosa (que faz os preços da carne no país inteiro decolarem) ou quando se trata de apreensão de drogas, já que o Estado é rota do tráfico. E com quatro anos tumultuados eu me pergunto e lhes pergunto: estaríamos nós prontos para o mercado de trabalho?!

Eu mesma respondo, a maioria sim! Já que a maior parte da turma já faz estágio, alguns já exercem no dia a dia o trabalho de um jornalista formado, diga-se de passagem, com muita competência. O grande diferencial, é a formação humana que recebemos. É fato que nas Universidades particulares o ensino é mais voltado à formação prática, enquanto nas públicas o que é desenvolvido e explorado pelos professores é o lado humano do jornalismo. Os dois fatores combinados resultam em grandes produções, exemplo disso são os dois maiores jornais de São Paulo (ou seriam do país?) Folha e Estadão, que empregam profissionais formados em ambas.

E se nós, que passamos quatro anos, estudando, fazendo pesquisas, iniciação científica na área da comunicação, artigos para serem apresentados em Congressos, sentimos um certo frio na espinha ao nos depararmos com o final do curso. E temos munição de sobra para apontar erros crassos da imprensa hoje, o que será dos veículos de comunicação, aprovada essa extinção do diploma de Jornalismo para atuação na área? O que será do público, do leitor, do telespectador que mesmo com tanta gente competente e formada nos veículos, ainda tem que aturar certos absurdos na imprensa?!

Muito antes de ser uma falta de respeito com quem fez e faz a faculdade de Jornalismo, é uma falta de respeito com a sociedade. Talvez, os ministros não tenham consciência do papel que o jornalista desempenha na sociedade ao longo dos anos ou talvez, ainda, estejam muito incomodados com os jornalistas “afiados” e bem formados que dia a dia vêm “derrubando reis”.

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Fernanda Garcia
, 25 anos. Sou a filha mais nova e inconseqüente de uma família paulistana, uma paulista solta nesse mundão de meu Deus. Estudante do 3° ano de Comunicação Social - com habilitação em Jornalismo na UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul). Nunca pensei em ser jornalista por dinheiro, pra ficar rica, pra aparecer na TV, pra ser famosa. Jornalismo para mim está muito além de tudo isso. Quero contar as boas histórias do cotidiano, da vida real, das pessoas comuns de todos os dias. Jornalismo é arroz com feijão, todo o resto é uma mera fantasia da profissão. Me decidi pelo Jornalismo muito antes de entrar na faculdade, e hoje vivo a certeza inconstante de que ele é tão indissociável de mim quanto a vodcka do limão. Sou uma “ledora” inveterada, leio tudo o que me cai em mãos, leio o tempo todo. “Escrevedora” compulsiva, viajante apaixonada, adoro música e às vezes ataco de cantante. Mas gosto mesmo é de café, forte. O Blog da Comunicação é meu primeiro trabalho na área, com prazos e temas a cumprir e vou trabalhar com paixão e acima de tudo personalidade para fazer desse espaço algo que valha a pena, não só para quem escreve, mas acima de tudo para vocês que lêem.
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  • James Freitas

    É um absurdo…
    Se for seguir exemplo…amanhã pela manhã começo a fazer cirurgias. Colocarei até uma placa: James Freitas, Jornalista e médico nas horas vagas..rs
    Bizarro!!!!

    Olha o ponto que chegamos..é uma vergonha! um descaramento!
    Igual ao caso vivido pela Fernanda na faculdade dela…

    Será que o STF, também está atento ao que acontece nas salas de aula das universidades de todo o Brasil???????????

    ótimo post!!!
    excelente título!!

    bj

  • thiago gonçalves

    Sim sim! Ao mesmo tempo em que brigamos na luta pela obrigação do diploma, questionamo-nos a qualidade deste. Na realidade, essa briga por diploma é ultrapassada e cômica, ao mesmo tempo. Precisamos sim é pensar e discutir a qualidade do ensino superior no país, principalmente o público.

  • http://jeffbaicere.blogspot.com/ Jefferson Baicere

    Bom, seria hipócrita dizer que não concordo com cada frase que você expôs aqui. Afinal sou um, ainda bem, que hoje lida dia-a-dia com o jornalismo, que já estagia há mais de um ano na área e tudo o mais. Também escrevi artigo, corri atrás de pauta, sofri com os professores junto com você e estou sendo “humanizado”.
    O diploma é o mínimo que queremos enquanto profissionais. Depois ainda precisamos de um sindicato presente e atuante, pelo menos aqui em Mato Grosso do Sul. E (por que não?) uma prova do tipo OAB aos formados que lhes dê a tão sonhada habilitação. Convenhamos: muitos se formam jornaleiros, não jornalistas.
    Ficamos sempre aqui na torcida e lutando para tampar os buracos de uma universidade pública para que os próximos não tropecem tanto como nós!

    Adoro os seus textos Fer!

  • edegard

    Ola Amigo
    Já tinha lido a sua matéria, ela muito esclarecedora e ao mesmo tempo assustadora. Concordo em número e grau com suas reevindicações e infelizmente nossos governantes não têm ou fingem que não sabem da responsabilidade de um jornalista profissional, que estudou uma faculdade e teve o conhecimento da verdade e o compromisso de trazer a público a verdade.
    Meus parabéns pela matéria e muita luz e energia pra você

  • http://www.opatifundio.com Michell Niero

    Gostei muito do novo layout!

    Sou drásticamente a favor do diploma. Para mim, jornalismo deveria ser uma pós-graduação inclusive. Para quem deseja viver neste meio, seria necessário, para mim, investir em uma formação humana inicial (ciências sociais, por exemplo), para só depois aperfeiçoar e aprender a linguagem jornalística.

    Formação intelectual é fundamental, mas é bem verdade que o mercado cresceu muito. É preciso ponderar e concluir que um jornalista especializado em ciência, por exemplo, necessita de uma formação acadêmica muito mais sólida que um jornalista em comunicação empresarial.

  • Guilherme Freitas

    O tema é polêmico. Acredito que isso veio a tona porque nossos políticos gostam de perder tempo com assuntos que não são prioridades. Ao invés de tentar diminuir a desigualdade social ou corrupção, eles preferem discutir temas como estes.

    Eu sou a favor do diploma para jornalista, como para outras profissões, como medicina, engenharia, advocacia, etc… Acho indispensável o profissional ter um diploma para poder exercer esta função. Acho que o diploma é justo e ético. Muitas vezes, um jornalista perde um emprego para um rival que não tem este diploma.

    Acho justo o jornalista ter um diploma, afinal foram 4 anos estudando para isto. E não me venham dizer que não se aprende nada em uma faculdade, pois isso é uma mentira descarada. Jornalismo se aprende na faculdade e na vida também. Há também, hoje em dia, o profissional de comunicação, que pode ser um publicitário trabalhando como jornalista e vice-versa. Afinal o curso é de Comunicação Social. Mas mesmo assim ele tem o diploma. Mas muitas vezes, o próprio jornalista não colabora. Existem muitos companheiros de imprensa por ai, que não estão nem ai pra nada. Não se esforçam e não querem aprender. Querem o diploma, apenas por este diploma ser de curso superior.

    Não vejo problema nenhum em um economista escrever uma coluna em um jornal, afinal ele é especialista no assunto (mais até do que um jornalista). Ele é colunista e não tira o espaço de ninguém. Agora se ele quisesse fazer matérias ou reportagens é diferente. Ai deveriam exigir o diploma. Um exemplo é o Sr. Boris Casoy, veterano apresentador de telejornais. Ele não tem diploma de jornalista.

    Quanto a faculdade da Fernanda, isso só mostra como o governo está ligando para a educação. Se nada for feito ficaremos para trás mesmo.

  • Graziela

    Olá fernanda, tô tão indignada qt o outro post que escrevi nesse blog falando exatamente do mesmo assunto.
    Estou triste por tudo isso, é lastimável o que o MInistério da Educação esta fazendo. Lamento pelo que vc esta passando na sua faculdade.
    OBRIGATORIEDADE JÁ!!!

  • http://www.crisedostrinta.com Lizzy

    Gentem,
    Me desculpe, mas eu discordo do que vocês falaram.
    Por alguma ingenuidade, vocês acreditam que só quem passa pela faculdade de jornalismo têm espírito crítico.
    O jornalista é um questionador, uma pessoa que não aceita as respostas superficiais e vai em busca da realidade dos fatos.
    A característica fundamenal para exercer a profissão é ter um olhar crítico. Uma faculdade, como a de jornalismo, ajuda a desenvolver esse olhar crítico. Mas é possível que alguém que nunca cursou uma faculdade de jornalismo esteja muito mais preparado do que quem tem esse pedaço de certificado.
    Além disso, o grande número de faculdades de jornalismo disponíveis no país passa a imagem errada: a de que existe emprego para todo mundo. E não existe! E não existirão mais empregos se for requisito indispensável o diploma.
    Um escritor pode fazer faculdade de letras. Mas pode não fazer e ser um escritor maravilhoso. Jornalismo, assim como escrever, é paixão, é talento, é vontade. A faculdade de jornalismo pode ajudar. Ou não.

  • Guilherme Freitas

    Discordo e concordo com você Lizzy. Acho que a faculdade é importante sim e indispensável para um jornalista. Todo mundo tem um pouquinho de jornalista em si, afinal todos (ou a maioria) têm um olhar crítico das coisas. Mas não acho que só ter olhar crítico ou paixão pelo jornalismo baste. Sou a favor do diploma não só para jornalismo, como para todos os cursos superiores. Acredito que cursar uma faculdade ajuda sim. É importante um profissional estudar.

    Agora concordo totalmente quando você disse “…grande número de faculdades de jornalismo disponíveis no país passa a imagem errada: a de que existe emprego para todo mundo.” É a mais triste verdade, pois falta muito emprego aos jornalistas hoje em dia. Existem jornalistas diplomados, que por falta de vagas atuam em outras áreas. Mas isso acontece em outras áreas também.

  • http://www.crisedostrinta.com Lizzy

    Oi Guilherme,

    Eu também considero importante conhecer diversos pontos de vista. Isso que faz a riqueza de uma democracia e do jornalismo.

    Estudar é muito importante para aumentar o conhecimento sobre as coisas. A questão é que os cursos de graduação, pós graduação e afins em geral se tornaram simplesmente uma fábrica de dinheiro.

    Antigamente você se diferenciava se tinha um curso superior. Hoje apenas com um curso superior você é o zé da esquina. Precisa fazer pós. E depois da pós tem o doutorado.

    Sabe por quê? Porque hoje qualquer um tem diploma de escola superior. A questão é que fazer um curso é investimento de tempo e de dinheiro. E será que não existe um modo melhor de empregar o seu tempo?

    Quantas pessoas eu já vi que na faculdade não faziam seus trabalhos, não liam nem metade do que tinham que ler, faziam o resumo do resumo de um colega. Estão enganando quem?

    Talvez esse tempo da faculdade poderia ser usado para realmente enriquecer a bagagem cultural dessas pessoas. Ninguém precisa fazer faculdade para saber o que é um lead.

    Eu sou contra a burocracia. Sou contra uma pessoa ter que gastar 4 anos da vida dela e mais não sei quanto de dinheiro só para ter o direito de trabalhar em uma profissão que, talvez, já até trabalhe!

    Mas não critico a sua opção pela faculdade de jornalismo. Aos 18 anos, provavelmente é a melhor escolha.

  • Guilherme Freitas

    Lizzy, continuo achando que é importante a faculdade, mas não posso discordar de você. Muitas vezes são os próprios estudantes que não colaboram. Conheço muita gente que já me disse que fez uma faculdade “apenas” para ter um diploma. Declarações como esta são lamentáveis, afinal são pessoas que estão tendo a oportunidade de ter um diploma e estão o jogando fora. Infelizmente a educação virou uma fábrica de dinheiro, afinal as universidades só pensam em lucro e não em conhecimento. Tomara que este pensamento mude, senão o Brasil continuará sendo um país com uma educação e ensino ruim.

  • Belisa

    Realmente. Concordo plenamente com Fernanada sobre o artigo escrito.
    Acho um absurdo isso, é como se dissesse para os Jornalistas que é muito fácil ir atrás de uma matéria, escrever e divulgar, e que é muito inútil tal formação, pois qualquer um estaria apto para isso, o que para mim, é uma grande mentira.
    Estou realmente preocupada com isso, pois estou prestes a entrar numa Universidade e quero fazer Jornalismo. Já pensou quando eu me formar, aí vem um e diz : ” qualquer um pode fazer isso”, aí eu ter perdido meu tempo?

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?