POR Henrique Beirangê 2 ANOS ATRÁS
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por Henrique Beirangê
educacao@blogdacomunicacao.com.br

“Puta, puta, puta, puta…” O coro embevecido de ódio não teria causado tanto espanto se tivesse sido manifestado por fanáticos religiosos. Mas não foi. Partiu de uma centena de “estudantes”, que aos gritos, reprovavam o tamanho do vestido[bb] de uma colega de faculdade. O massacre se deu na Uniban em São Bernardo do Campo.

O tamanho do vestido mobilizou um número de manifestantes de dar inveja a muitos organizadores de passeatas. O episódio ganhou os noticiários de jornais de todo o país e nos fez refletir sobre até onde a intolerância, a falta de respeito e a estupidez humana são capazes de operar. A cena ilustraria perfeitamente um documentário sobre momentos do obscurantismo da Idade Média ou a rincões onde o fundamentalismo Talebã entraria em êxtase e admiração com a conduta daquela noite na faculdade.

O vestido é exageradamente curto e inoportuno para qualquer ocasião social, mas nada fora dos padrões do que estamos habituados a assistir diuturnamente na programação televisiva, incluindo programas infantis. Cercada pelos “estudantes” e ofendida por todos os lados, a aluna do curso de turismo só conseguiu sair da “universidade” escoltada por policiais. A selvageria contou com o endosso até de funcionários. Durante o vídeo da inquisição, uma aluna tenta contemporizar, “ela tá chorando”, mas a rigidez ética de sua amiga é implacável “ela que se dane”.

Questiono-me por que isso incomodou tanto aos “estudantes”. Será que também se inquietam por viver em um país corrupto e injusto? Será que se incomodam por assistir a mentira e a desfaçatez na imprensa todos os dias? Será que também se aborrecem por testemunhar a demagogia e o cinismo nas nossas relações sociais? Será que se perturbam quando o mais forte esmaga o mais fraco? Será que se aporrinham pelas tantas aberrações que vemos todos os dias? Claro que não, afinal, os outros que se danem, não é?

Esse é o esqueleto moral de nossa era. A moral dos hipócritas, a moral dos covardes, a moral dos intolerantes, a moral dos que se escondem na impessoalidade da multidão. A moral humana nunca foi tão seletista. É condescendente e complacente quando a conveniência exige, e rígida e impiedosa quando a inveja, o orgulho, e o egoísmo emergem dos mais escuros e recônditos lodaçais da alma.

Vivemos na era dos absurdos. A falta de espírito público e a depravação social atingiram níveis tão intoleráveis, que se tornaram toleráveis. Assistimos a esse vídeo e procuramos explicações onde tudo que enxergamos é o inexplicável. Estamos em meio a produção social da loucura, onde os valores foram subvertidos e os vícios contemplados.

Quanto tempo será necessário para que a humanidade[bb] emancipe de sua infância moral? Talvez se essa inquietação fosse tão recorrente quanto a represália ao tamanho de um vestido, não precisaríamos nos ocupar de temas que de tão absurdos, sequer fariam parte de tamanhas discussões.

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COMENTÁRIOS
MAIS SOBRE Henrique Beirangê
Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora com extensão em Jornalismo Econômico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente faz pós-graduação em "Brasil: Estado e Sociedade" pelo Instituto de Ciências Humanas da UFJF. Procura focar seus estudos na crítica da conduta política e econômica dos agentes públicos brasileiros.
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  • http://www.abordorp.blogspot.com Cibele Silva

    Assunto complicado!
    Eu estudo na Metodista (em São Bernardo) que fica próximo a Uniban, praticamente a Ford divide as duas faculdades. No mesmo dia, eu estava indo embora com o pessoal da Uniban e eles comentaram sobre o acontecimento, realmente ficaram indignados com a vestimenta da menina, mas a proporção foi grande e a falta de respeito tbm, visto que não foi tão fora dos padrões que se vê por ai ultimamente.

    Essa semana já não se ouviu falar da menina. Falaram que o pessoal da UNIBAN já nem fica tocando no assunto, mas claro a mídia tem que causar uma proporção bem maior.

    Acho que o respeito tem que vir de todos os lados e neste caso eu não vi nenhum pouco de respeito em momento algum, lamentável!

    abraços,

  • http://feeds.feedburner.com/blogspot/ukPg Seu Luiz

    Lamentável este acontecimento. Parece até que estamos vivendo em um país de fanáticos.

    Abraços

  • http://www.curiosando.com.br/ Rodrigo Piva

    Lamentável e vergonhoso o acontecido na Uniban. Uma estupidez comparada a países do oriente médio e olhe lá. A menina poderia ter ido nua. Os incomodados que comunicassem a direção da faculdade. Imagino a vergonha dos alunos de bem. Sem mais comentários.
    Abraços

  • Pingback: Tweets that mention UNIBAN, A “PUTA” E O ENSAIO SOBRE A ESTUPIDEZ » Educação » Blog da Comunicação -- Topsy.com

  • CESAR 63

    Houve um tempo em que nossos estudantes lutavam por uma sociedade mais justa, contra a opressão e a intolerancia, contra a censura dos anos de chumbo… nem faz tanto tempo, cerca de 40, 35 anos atrás…
    e agora o que se vê é isso…
    O que teria acontecido com a política de Educação nesse período ?????
    Em que momento deixamos de trilhar a luta por um ideal mais humano e democrático, e parimos essa excrescência que se apinha em nossas Universidades ?????

  • Je

    Eu acho que por uma lado foi exagero do pessoal da uniban…pois cada um tem que cuidar da sua própria vida… PORÉM… se ela saiu vestida daquele jeito para ir “estudar” em um lugar que não é apenas uma escola comum, é uma escola de ensino superior ou seja uma faculdade, ela devida muito bem saber das consequências por estar vestida daquele jeito em um ambiente incompativel.

  • http://coisaboanaoe.blogspot.com/ Marcello

    Esse episódio é bastante representativo da tendência atual que levou a uma verdadeira reedição daquele maldito livro que pensava ter sido esquecido pela nossa sociedade atual, o maleficus maleficarum. Ridículo pensar que tão pouco foi necessário para inflamar e tirar da letargia um grupo que estudantes que virão sua moral ser ferida quando, dentro do seu prórprio meio, observam passivamente roubalheiras no Senado. Parece-me que tais estudantes fazem jus ao estereótipo daqueles que há muito já sepultaram a faculdade de pensar para trocar pela hipocrisia e miopia que nos contamina…
    Escrevi um post sobre isso no meu blog.
    http://coisaboanaoe.blogspot.com/2009/11/hipocrisia-e-miopia-daqueles-que-so.html

  • Celia Regina Torres

    Hoje li na Folha de S.Paulo (Folhateen) vários depoimentos de alunas de diversas Faculdades de São Paulo( PUC, USP, Faap, Uninove)sobre como elas se vestem para ir ao local de estudo. Algumas vão de shortinho, saia curta, vestidos com um decote generoso,e pelo que disseram nunca sofreram nenhum ataque de grosseria como este que ocorreu na Uniban de S.Bernardo. Se cada um se preocupasse mais em estudar para melhorar seu nível de Educação, talvez nosso país sairia da mediocridade em que as vezes nos encontramos.

  • Henrique Oliveira

    Eis, meus caros, a expressão de uma faceta marcante da nossa época: intolerância, egoísmo, violência… Em muitas universidades, onde deveríamos ter um aprendizado humano, o que vemos é uma fábrica de homens-máquina, presos a preconceitos e encalacrados num mundinho utilitário e que só serve ao “lucro de amanhã”… É preciso que mudemos a nossa forma de enxergar uma sociedade que, por essência, é diversa e lotada de expressões.
    Não é possível que, ainda hoje, tenhamos expressões agressivas contra um fato tão diminuto com foi o fato envolvendo essa moça… Além do aprendizado técnico, deveríamos aprender a tolerar o próximo…

  • roberto

    por incrivel que possa parecer os nossos jovens estão perdendo mesmo a identidade, não posso admitir que cenas absurdas das que nós vimos contra a estudante possa ser verdade, e que esteja acontecendo e que seja no brasil,pois a globo apresenta todos os dias e não é nas universidades e sim nas nossas casas,para nossas crianças e poucas são as manifestações contrarias…o que será do pais do futuro com tal reação univesitaria?

  • Guilherme Freitas

    Este é um tema que merece muita discussão. É inaceitável ver essas cenas onde os supostos estudantes gritam e ameaçam uma jovem. Porque não parecem estudantes, parece que não estão na Universidade. Parecem radicais religiosos do Talebãn querendo apredejar uma “infiel” em Cabul ou Candahar.

    São cenas lastimáveis e desprezíveis, mostrando bem o perfil desses estudantes que vão a Universidade. Não vão para estudar e sim para fazer baderna. O vestido da garota é curto demais, pode ser, mas e dai? Quando estava na faculdade cansei de ver garota de mini-saia e decotes se exibindo e ninguém fez isso.

    A roupa da garota não é motivo pra tanto alarde. Esses manés queriam mesmo é chamar a atenção.

  • Denis

    Intolerancia, preconceito: tudo isso por 199,00 por mês…
    Está mais para uniban…do de estupidos!

  • Jefferson Benedito Pires de Freitas

    Artigo que mostra com todas as letras a barbarie e estupidez de nosso tempo, que não se restringe a classes sociais ou segmentos da sociedade. Ela está presente em todos os locais.
    Parabéns pelo artigo.
    Jefferson

  • Leonardo

    A Universidade e o Estado moderno deveriam ser o universo de opinioes, de liberdade de expressao, de transformaçao e revolução sociais. Porém, vemos alunos conservadores e retrogrados, que punem uma colega de maneira extremamente violenta, apenas por fugir do padrao, por escolher uma roupa diferente, que lhe é de direito,seja curta ou nao, seja saia ou jeans.
    Ao invés de procurarem cada um sua sala, e continuarem os seus estudos, fazem questao de perseguir e atacar a moça. Como bestas sobre a carne, como uma oportunidade sádica de vomitarem todo o seu ódio, todo seu preconceito e todo seu conservadorismo retrógrado e cruel em cima do que ameaça tudo que apreenderam e absorveram até entao, seja na família, na escola, na sociedade. Se fosse somente nessa uniban até que estava bom, mas essa atitude reflete o pensamento, as ideologias e a aversao do brasileiro, em relação ao diferente, ao novo, à mudança, a liberdade simbólica e igualdade de posiçoes sociais.

  • http://www.rodrigo.blogspot.com Rodrigo

    Vamos fazer um bolão?! quanto tempo para o primeiro ensaio “sensual” desta profissionel? Eu aposto em 2 meses, pois do tamanho que ela esta, vai precisar de umas 2 plasticas e muito photoshop para aparecer… É a teoria da estrala. Tem gente que tem a necessidade de aparecer. E para aparecer, só existem 2 maneiras: ou brilha ou fede. Cada um aparece como pode…

  • Leandro Lopes

    Alguma coisa precisa ficar esclarecida, se a tal “garota do vestido vermelho” é tão bonita ao ponto de alunos causarem um estardalhaço por conta de seu vestido curto… o que aconteceria se Sabrina Sato visitasse o local com seus vestidos do Programa que apresenta na Tv?

    Muito complicada a discussão…

Você está otimista ou pessimista com a atual situação econômico do mundo?